Open source é o caminho para o Brasil não depender de IA estrangeira, diz Lemos
O Brasil corre o risco de se tornar dependente de plataformas estrangeiras se não investir em modelos próprios . O alerta foi feito por Ronaldo Lemos , membro do Conselho de Super…

O Brasil corre o risco de se tornar dependente de plataformas estrangeiras se não investir em modelos próprios. O alerta foi feito por Ronaldo Lemos, membro do Conselho de Supervisão da Meta e um dos principais nomes do direito digital no país, durante um debate com o chefe de Políticas Públicas da OpenAI para a América Latina, Bruno Lewicki, no Web Summit Rio.
- i.ai: Itaú prepara IA que substitui menus e botões do app
- Claro quer facilitar o desenvolvimento de IA com GPU sob demanda
Para o especialista, o maior risco não está na falta de regulação, mas na ausência de uma política industrial que desenvolva capacidade local. Sem isso, o país ficará refém de plataformas de empresas como OpenAI e Anthropic, dos Estados Unidos, ou DeepSeek e Alibaba, da China.
"O objetivo da regulação no Brasil é que a gente não dependa da OpenAI, nem da Anthropic, nem das chinesas. Nesse sentido, temos que abraçar o modelo open source”, disse o advogado nesta terça-feira (9).
-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-
Lemos lembrou que o Brasil tem uma longa tradição em software livre como prova de que os desenvolvedores brasileiros têm o perfil técnico e a cultura colaborativa necessários para liderar essa agenda.
“Temos que abraçar os modelos open source e olhar para esses modelos para podermos retreiná-los, dar a eles capacidades locais, e tropicais, por que não dizer? E isso os nossos desenvolvedores podem fazer como ninguém”, pontua.
Barreiras
Lewicki destacou que o Brasil já é o terceiro maior mercado mundial em número de usuários e o segundo maior em número de usuários desenvolvedores das ferramentas da OpenAI. Para o especialista em direito digital, porém, consumo sem produção local não resolve o problema estrutural.
Durante o painel, o analfabetismo funcional também foi apontado como uma barreira estrutural. Dados do INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional) mostram que apenas 10% dos brasileiros têm domínio pleno do português – o que limita, na prática, quem pode usar e se beneficiar de qualquer modelo de IA, aberto ou não.
Como referência de política pública, Lemos citou o Vietnã, país que cresceu 8% em 2024, tornou-se grande exportador de tecnologia e construiu uma legislação de IA focada em independência tecnológica.
“A gente não precisa copiar ninguém. Podemos fazer uma lei brasileira de inteligência artificial que seja exemplo para o mundo todo”, afirma.
Leia a matéria no Canaltech.
