Especialista de mercado analisa polêmica sobre 1ª Ferrari elétrica
O primeiro carro elétrico da Ferrari estreou, digamos, em grande estilo e com muita polêmica. Chamado Luce, o modelo tem design tão disruptivo que gerou uma série de controvérsias…

O primeiro carro elétrico da Ferrari estreou, digamos, em grande estilo e com muita polêmica. Chamado Luce, o modelo tem design tão disruptivo que gerou uma série de controvérsias sobre sua identidade — o impasse foi tamanho que as ações da lendária montadora de Maranello despencaram imediatamente 8% na Bolsa de Milão. Mas, afinal, o que especialistas têm a dizer sobre a polêmica do hipercarro da lendária italiana?
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O que acontece é que o Luce, de fato, chegou com mudança tão radical no design que é como se rompesse com qualquer outro modelo da marca; a diferença é tanta que até a Ferrari Purosangue, um SUV com o motor mais icônico da montadora, parece mais familiar. Só que o mercado de superluxo reagiu com desconforto à ideia de uma marca construída sobre a emoção mecânica abraçar o silêncio da propulsão elétrica.
Por isso, ficou a dúvida: será que o modelo deve mesmo ostentar o icônico Cavallino Rampante? Para Fernando Pfeiffer, diretor de Novos Negócios da Bright Consulting, a pergunta nem é esta, mas sim se “é possível eletrificar a alma” — para o executivo, “um Ferrari nunca foi apenas velocidade”.
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O dilema da alma mecânica
O especialista considera que, de fato, o avanço da eletrificação faz sentido se considerarmos aspectos como o torque instantâneo e eficiência energética. Por outro lado, o analista traça um paralelo com a história: assim como os carros não extinguiram os cavalos (que, aliás, viraram sinônimo de esporte e exclusividade), os motores a combustão devem acabar assumindo uma posição mais emocional e aspiracional.
“Ferrari é a violência sonora de um V12 aspirado subindo de giro. É a imperfeição emocional da máquina. É o cheiro, o calor, a vibração e a brutalidade mecânica que transformam condução em experiência visceral”, acrescentou ele. Os executivos da marca sabem disso, tanto que o CEO da Ferrari, por exemplo, questionou se um carro elétrico deveria, de fato, manter o cavalo.
Mas, para Pfeiffer, a grande provocação do projeto reside no fato de que o desempenho bruto dos carros elétricos já foi dominado por marcas como Tesla, Rimac e fabricantes chinesas. E é aqui que entra o Luce, vindo de uma marca que nunca vendeu apenas números impressionantes de aceleração, mas que agora vai precisar emocionar os clientes mesmo sem a vibração do motor.
“Uma coisa é certa: quando até a Ferrari aceita discutir eletrificação, fica evidente que não estamos mais debatendo “se” a transformação acontecerá. Estamos apenas discutindo como cada marca sobreviverá emocionalmente a ela”, finalizou.
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