Papa Leão XIV publica carta falando sobre uso de IA e Big Techs
O Papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas”, que estabelece a posição oficial da Igreja Católica sobre o uso da inte…

O Papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas”, que estabelece a posição oficial da Igreja Católica sobre o uso da inteligência artificial (IA), o poder das grandes empresas de tecnologia e seus impactos sociais e políticos.
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O documento, assinado em 15 de maio e divulgado agora, já está disponível para bispos de todo o mundo e, consequentemente, para todos os fiéis. Com cerca de 43 mil palavras, o texto propõe diretrizes éticas e pede maior regulação internacional sobre o desenvolvimento da IA.
A encíclica funciona como um posicionamento doutrinário e ético da Igreja diante dos avanços tecnológicos recentes. Segundo o Papa, o crescimento da IA não pode ser guiado apenas por interesses econômicos ou corporativos, mas deve estar subordinado ao bem comum. O texto também alerta a disseminação de desinformação, a concentração de poder nas Big Techs e o uso de sistemas automatizados em contextos militares.
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No documento, Leão XIV defende a criação de marcos regulatórios mais rígidos e de alcance internacional para supervisionar o desenvolvimento da IA. Ele também critica a falta de transparência das empresas de tecnologia e afirma que a governança desses sistemas precisa envolver mais controle público. Além disso, a encíclica relaciona a automação ao impacto no mercado de trabalho, apontando riscos de precarização e substituição em massa de empregos.
O que o Papa Leão XIV diz sobre o uso de IA?
Na encíclica “Magnifica Humanitas”, o Papa Leão XIV alerta para a concentração do desenvolvimento da inteligência artificial em grandes empresas privadas. Ele afirma que “os principais motores do desenvolvimento são entidades privadas, muitas vezes transnacionais, dotadas de recursos e capacidade de intervenção que superam os de muitos governos”.
O documento ressalta que essa concentração pode gerar opacidade, dependência e desigualdade. Nesse sentido, o Papa adverte que “quando esse poder se concentra nas mãos de poucos, tende a tornar-se opaco e a escapar à supervisão pública, aumentando o risco de formas distorcidas de desenvolvimento que dão origem a novas dependências, exclusões, manipulações e desigualdades”.
Diante desse cenário, a encíclica defende a criação de mecanismos de controle e regulação. O texto afirma que “não basta invocar a ética no abstrato; são necessários marcos legais robustos, supervisão independente, usuários informados e um sistema político que não se esquive de sua responsabilidade”, além de reforçar que “a propriedade dos dados não pode ser deixada exclusivamente em mãos privadas, mas deve ser devidamente regulamentada”.
O Papa também pede cautela no ritmo de adoção da tecnologia, afirmando que a prudência não significa rejeição ao progresso, mas responsabilidade: “Apelar à prudência, à avaliação rigorosa e até mesmo, por vezes, a um ritmo mais lento na adoção da IA não significa opor-se ao progresso; pelo contrário, é um exercício de cuidado responsável para com a família humana”.
A encíclica ainda chama atenção para o impacto da IA em diferentes áreas da vida social. No campo da informação e da democracia, o texto alerta que a tecnologia pode afetar a relação com a verdade, já que “a democracia não consiste apenas em regras e procedimentos, mas sobretudo numa sólida concordância com os fatos”, e que a “indiferença à verdade leva, lenta mas seguramente, a uma descida ao totalitarismo”.
Sobre o trabalho, o Papa afirma que a automação está mudando rapidamente o mercado, mas não necessariamente para melhor. Ele reforça que “a proteção das oportunidades de emprego e o papel insubstituível do indivíduo devem permanecer a regra geral”, já que “a busca por maiores lucros não pode justificar escolhas que sacrifiquem sistematicamente empregos”.
Ainda, o documento relaciona o avanço da IA a mudanças nos conflitos armados, com a expansão de guerras híbridas, automação de decisões estratégicas e manipulação de informações. Nesse contexto, o Papa é enfático ao afirmar que “o desenvolvimento e a utilização da IA na guerra devem estar sujeitos às mais rigorosas restrições éticas... não é permitido confiar decisões letais ou irreversíveis a sistemas artificiais”.
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