SanDisk quer acabar com a crise dos SSDs com novos modelos SATA mais baratos
A SanDisk se prepara para lançar dois novos SSDs SATA, o SanDisk 320 e o SanDisk 520 , em uma aposta direta contra a crise de armazenamento que encareceu o segmento ao longo do úl…

A SanDisk se prepara para lançar dois novos SSDs SATA, o SanDisk 320 e o SanDisk 520, em uma aposta direta contra a crise de armazenamento que encareceu o segmento ao longo do último ano. A proposta é simples: enquanto os preços disparam, a marca volta a investir em uma tecnologia mais antiga e mais barata para oferecer uma saída a quem não quer pagar caro por um NVMe.
As unidades ainda não têm preço oficial, mas devem ser mais acessíveis que os modelos M.2 NVMe, com o custo de abrir mão de parte do desempenho. As listagens apareceram na Amazon do Reino Unido, garimpadas pelo leaker momomo_us, e um varejista holandês marcou a chegada do 520 para 3 de junho, o que sugere anúncio oficial logo ali.
Por que apostar em SATA agora?
SATA é visto por muita gente como tecnologia ultrapassada no mundo do armazenamento, mas segue como opção válida para quem atualiza máquinas antigas ou busca o caminho mais econômico. São unidades confiáveis, bem mais rápidas que um HD mecânico e que não pesam tanto no bolso.
O timing não é coincidência. O mercado vive uma escassez de memória NAND, com fabricantes reduzindo a produção para elevar os preços e priorizando a demanda de servidores de IA, mais lucrativa. Nesse cenário, um SSD SATA mais barato funciona como respiro para o consumidor.
Não é exclusividade da SanDisk. A Samsung, por exemplo, lançou recentemente uma versão de 8 TB do 870 Evo, um SSD SATA que estreou há cerca de cinco anos e ainda figura entre os melhores da categoria.
SanDisk 320 e 520: o que muda entre eles
Os dois modelos adotam o formato tradicional de 2,5 polegadas com perfil fino de 7 mm. A escolha favorece a compatibilidade, sobretudo com ultrabooks e notebooks finos da geração atual, que não aceitam unidades de 9,5 mm.
O 320 é o modelo de entrada, voltado ao grande público, com capacidades de 250 GB a 2 TB. Já o 520 mira profissionais, criadores de conteúdo e prosumers, com capacidades de 500 GB a 4 TB. A diferença de velocidade entre eles é pequena.
Veja as especificações conhecidas até aqui:
| Modelo | Capacidade | Leitura sequencial | Escrita sequencial | Resistência (TBW) |
|---|---|---|---|---|
| SanDisk 320 | 250 GB a 2 TB | até 545 MB/s | até 525 MB/s | não informada |
| SanDisk 520 | 500 GB a 4 TB | até 560 MB/s | até 525 MB/s | 1.000 (versão 4 TB) |
Na prática, o 520 entrega leitura sequencial 2,75% maior que a do 320 e mantém a mesma velocidade de escrita. São números típicos de SSDs SATA, limitados pela própria interface, e que ficam bem abaixo do que um NVMe moderno alcança.
Controlador e NAND ainda são incógnita
O hardware interno dos dois SSDs permanece em segredo. Historicamente, a SanDisk usa controladores SATA de fornecedores terceirizados de reputação, como Marvell, Silicon Motion e SandForce, mas nada foi confirmado para esta linha.
Sobre a memória, as listagens de varejo indicam o uso da própria tecnologia 3D NAND da SanDisk. Convém moderar as expectativas: por se tratar de unidades SATA, o NAND não deve ser o mais avançado. A maioria dos SSDs SATA atuais usa flash de 112 ou 128 camadas, e modelos de linha mais antiga ficam em 64 ou 96 camadas.
O preço é o ponto de interrogação
Aqui mora a dúvida , os preços de SSDs SATA subiram entre 10% e 20% no último ano por causa da escassez de armazenamento, então a chegada dos novos modelos não garante valores camaradas.
Para dar uma noção do patamar atual lá fora, uma unidade SATA de 250 GB parte de US$ 42, e uma de 500 GB custa pelo menos US$ 101. Subindo a capacidade, um drive de 1 TB sai por cerca de US$ 204, e o de 4 TB chega a US$ 329.
Vale o alerta de contexto para o leitor brasileiro: esses valores são de referência internacional e não consideram impostos, frete e a variação cambial, que costumam inflar bastante o preço final por aqui. A própria SanDisk já sinalizou aumentos expressivos no NAND ao longo de 2026, o que pode limitar o quanto esses SATA conseguirão ser, de fato, baratos.
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SATA ainda vale a pena? Depende de quem você é
Antes de esperar pelo preço, vale o questionamento mais honesto: esse tipo de SSD ainda faz sentido em 2026? A resposta depende do seu caso, e nós enxergamos basicamente três.
- O primeiro é quem tem um PC ou notebook mais antigo, sem slot M.2 livre, e quer dar sobrevida à máquina trocando o HD por algo mais rápido.
- O segundo é quem precisa de um drive secundário, só pra guardar arquivos, jogos parados ou backup, onde velocidade de ponta não muda nada.
- O terceiro é quem busca capacidade alta gastando o mínimo possível e topa abrir mão de desempenho por isso.
Fora dessas premissas, a conversa muda. Para uma build nova ou um upgrade que mira performance, o NVMe continua sendo o caminho, mesmo mais caro. O SanDisk 320 e o 520 não competem com isso, e nem tentam.
A pista mais concreta de lançamento vem do varejo holandês, que marcou o 520 para 3 de junho, o que sugere anúncio oficial logo ali. Mas a data é o de menos. O que ainda falta saber, controlador, número de camadas do NAND e, claro, o preço, é o que vai dizer se a SanDisk realmente entrega um SATA em conta ou só mais um produto preso na mesma crise que diz combater.
Fonte(s): Amazon UK (SanDisk 320 e 520 reveladas pelo leaker momomo_us) e Tom’s Hardware