Afinal, os jogos de corrida estão morrendo?
Houve uma época em que jogos de corrida definiam a popularidade de um console . Eram os mais avançados e demonstravam todo o poderio técnico do hardware da su…
%3Aquality(85)%2F28343ba4-c8f1-41c3-a2d6-40cc4776c936.jpg&w=3840&q=75)
Houve uma época em que jogos de corrida definiam a popularidade de um console. Eram os mais avançados e demonstravam todo o poderio técnico do hardware da sua geração, seja em gráficos, performance, trilha sonora, design de áudio ou dirigibilidade.
Franquias clássicas como Need for Speed, Burnout, Gran Turismo, Midnight Club e Project Gotham Racing marcaram várias gerações, e suas respectivas eras de ouro são lembradas até hoje.
Contudo, desde a virada da década de 2010, o gênero tem passado por muitas mudanças. Sagas que antes dominavam as pistas foram aposentadas, esquecidas ou caíram bruscamente de qualidade.
Mas o que será que aconteceu? Os jogos de corrida estão realmente morrendo? Para responder a essa e outras perguntas, o Canaltech explica o que está acontecendo com esse gênero tão importante para os games.
Jogos de corrida estão mortos ou nichados?
Perceber que os jogos de corrida estão em um limbo estranho não é uma tarefa muito difícil. Basta ver os últimos jogos de cada uma das franquias que se consolidaram nos anos 2000.
Midnight Club, por exemplo, recebeu seu último título há 17 anos, com Midnight Club: LA Complete Edition para PlayStation 3 e XBOX 360.
Burnout deixou sua jogabilidade caótica no ano de 2018, enquanto Need for Speed foi bem criticado por sua nova entrada intitulada Need for Speed Unbound em 2022. Nem precisamos falar de The Crew, que é até hoje usado como exemplo de por que as mídias físicas precisam continuar existindo e como não somos donos de nenhum jogo digital em qualquer plataforma.
Apenas duas franquias seguem a todo vapor, embora tropeços recentes coloquem em questão até quando. A Microsoft dominou o gênero de corrida com Forza, em especial a subsérie arcade da franquia. Por outro lado, após o lançamento morno do simulador Forza Motorsport em 2023, o XBOX decidiu que era hora de aposentar as pistas mais realistas e colocou a desenvolvedora Turn 10 Studios como suporte para produção de títulos Forza Horizon.
Apesar dessa quebra com a simulação, Forza Horizon tem feito um enorme sucesso no XBOX e PlayStation. Um bom exemplo é que o sexto jogo da subsérie apresentou o Japão em um espetáculo visual de tirar o fôlego, conforme destacamos em nossa análise.
Do outro lado do ringue está Gran Turismo, do PlayStation, uma das franquias de jogos de corrida mais longevas e aclamadas de todos os tempos. A série completa 30 anos em 2027 e foi por diversas vezes uma espécie de prova real do que os consoles da Sony eram capazes de fazer.
:quality(85)/10b915c7-f182-4eb7-88fe-590951d46450.jpg)
A Electronic Arts, que foi uma das maiores produtoras quanto o assunto era jogos de corrida, parece ter abandonado de vez a ideia de introduzir um novo jogo de Burnout ou Need for Speed no mercado, em especial após alocar a Criterion Games (principal produtora dessas franquias) à estrutura de Battlefield.
Além de afastar seu principal estúdio do gênero, a EA aposentou uma série de franquias de jogos de corrida, como Project CARS, Real Racing, GRID Legends, WRC e por aí vai. Toda essa movimentação da empresa, que era vista como uma das principais marcas desse segmento, contribuiu muito para uma visão apocalíptica sobre o gênero.
Por que os jogos de corrida derraparam?
Não há um motivo exato que explique o porquê de os jogos de corrida mainstream terem entrado em uma fase de decadência nos últimos anos. Vários fatores podem ter contribuído para este cenário.
Primeiro, a produtora que quiser lançar uma experiência sobre rodas vai ter que lidar com buracos negros do gênero, em especial Forza Horizon, que tem um escopo avassalador e popularidade mais forte do que nunca.
Além disso, desenvolver jogos de corrida pode se mostrar dispendioso. As desenvolvedoras precisam se preocupar com licenças de carros e músicas, lidar com servidores, atualizações constantes, além de precisar de um pedigree aguçado para produzir física, design de áudio e gráficos.
:quality(85)/53c9a30e-ba61-4fb4-badd-8388975788a6.png)
É bem fácil imaginar que produtoras mais generalistas (que desenvolvem e publicam jogos de vários gêneros, como EA e Ubisoft) queiram se afastar do gênero. Em vez de gastar rios de dinheiro, essas empresas podem preferir pegar atalhos em gêneros mais populares, como jogos de ação e mundo aberto ou o mercado de FPS online.
Essas e outras empresas até tentaram entregar alguns títulos nos últimos anos. Contudo, o público de jogos de corrida forma um dos nichos mais exigentes, principalmente quando o assunto é qualidade técnica. Por isso, não basta entregar qualquer coisa e esperar que o caminhão de dinheiro bata na porta.
A chama dos jogos de corrida continua viva
Apesar dos tropeços e da debandada de grande parte dos estúdios que criaram os jogos de corrida mais importantes de todos os tempos, o gênero segue vivo. Contudo, em vez de assumir uma posição mais mainstream, os rachas seguem por nichos um pouco mais estreitos.
Kart Racing, por exemplo, é um subgênero que sempre esteve na cola dos demais e tem seguido firme nos últimos tempos. A Nintendo lidera a corrida de karts com Mario Kart, embora outros jogos como Sonic Racing CrossWorlds e Disney Speedstorm ameacem o Reino dos Cogumelos.
Os títulos que usam e abusam do mundo aberto, como Forza Horizon, também têm espaço garantido, apesar de haver poucos pilotos nessa corrida. De cabeça, é possível trazer o HOT WHEELS Infinite Rush e o vindouro Clutch, produzido por ex-desenvolvedores de Forza.
:quality(85)/bb12c474-d968-4659-8194-1932e6b1f9ff.png)
Há também aqueles jogos ainda mais restritos e nichados, como os games de rally, destruição veicular ou mesmo títulos independentes com foco na cultura automobilística. JDM: Japanese Drift Master é um excelente exemplo.
As franquias licenciadas, incluindo MotoGP, Ride, NASCAR e F1, seguem firmes e fortes e podem ser um desafio para novos jogos do gênero.
Então, sim, ainda há espaço para jogos de corrida no mercado, embora menor do que em outras épocas. Lançar um AAA arcade no estilo tradicional pode ser um tiro no pé se a produtora em questão não souber exatamente qual caminho seguir. A chance de ser engolida por Forza, Gran Turismo ou mesmo por um jogo de F1 é alta.
O gênero continuará existindo, mesmo que as franquias já consolidadas saiam da pista para dar lugar a novos estilos e formatos.
{{WHATSAPP_CHANNEL}}
