AMD confirma vulnerabilidade em processadores Ryzen
A AMD publicou o boletim AMD-SB-7064 e confirmou uma vulnerabilidade em processadores Ryzen que atinge a implementação de Firmware TPM (fTPM) da empresa. São duas falhas distintas…

A AMD publicou o boletim AMD-SB-7064 e confirmou uma vulnerabilidade em processadores Ryzen que atinge a implementação de Firmware TPM (fTPM) da empresa. São duas falhas distintas, registradas como CVE-2026-6726 e CVE-2026-6727, com notas 8.5 e 8.3 na escala CVSS 4.0, ambas classificadas como de severidade alta.
O documento saiu na terça-feira (11), mas as correções de firmware já haviam sido entregues aos fabricantes semanas antes. A maior parte das versões corrigidas para desktop foi liberada aos OEMs ainda em maio, e já circula em atualizações de BIOS de varejo desde junho.
Duas falhas que não nasceram no Silício da AMD
A tabela do próprio boletim marca os dois registros com a etiqueta “non-AMD”. As vulnerabilidades estão no código de referência do TPM 2.0 mantido pelo Trusted Computing Group (TCG), o consórcio que publica as especificações do módulo e distribui uma implementação de referência para que fabricantes desenvolvam produtos compatíveis.
Qualquer TPM cujo firmware derive daquele código herda o problema, seja ele um chip discreto, um módulo integrado, um fTPM ou uma implementação em software usada em nuvem e ambientes virtualizados. A AMD analisou o relatório do TCG e chegou à sua própria conclusão.
“Acreditamos que os Firmware TPMs em plataformas AMD são impactados por essa vulnerabilidade”, diz o texto do boletim AMD-SB-7064.
O resumo da AMD descreve o problema como uma leitura fora dos limites de memória que pode ser acionada por aplicativos em modo de usuário enviando comandos maliciosos ao TPM, com potencial de ler dados armazenados no módulo ou afetar sua disponibilidade.

O que um atacante consegue extrair
A nota do CERT/CC, publicada como VU#431093, detalha os dois vetores. Ambos exigem acesso local privilegiado à interface de comandos do TPM, condição que reduz o alcance prático da exploração e explica por que os índices ficaram abaixo do patamar crítico.
| CVE | Descrição | CVSS 4.0 |
|---|---|---|
| CVE-2026-6726 | Vazamento de informação que permite obter credenciais de uma autoridade certificadora para uma chave TPM falsificada, como Attestation Key, DevID ou chave TLS | 8.5 (alta) |
| CVE-2026-6727 | Canal lateral de tempo na decifragem RSA OAEP, capaz de expor import blobs, credential blobs e session salts cifrados com a chave Endorsement | 8.3 (alta) |
O resultado mais delicado dos dois casos é a possibilidade de forjar atestações TPM 2.0 que aparentam vir de um módulo legítimo.
SAtestação é o mecanismo que prova a integridade de uma máquina para serviços remotos, e é justamente o que sustenta cenários como acesso condicional corporativo, verificação de dispositivo e validação de identidade de hardware.
A lista de afetados vai de 2019 até os chips atuais
O boletim cobre praticamente todo o portfólio recente da fabricante. Entram desktops, notebooks, estações de trabalho, portáteis e as famílias embarcadas, além dos Athlon 3000 móveis e de duas linhas EPYC de soquete AM5.
| Segmento | Linhas listadas |
|---|---|
| Desktop | Ryzen 3000, 4000, 5000, 7000, 8000 e 9000 |
| Notebook | Ryzen 3000, 4000, 5000, 6000, 7020, 7030, 7035, 7040, 7045, 8040 e 9000HX |
| Ryzen AI | Ryzen AI 300, Ryzen AI 400 e Ryzen AI Max 300 |
| HEDT e workstation | Threadripper 7000 e Threadripper PRO 3000, 5000 e 7000 WX |
| Portáteis | Ryzen Z1 e Ryzen Z2 |
| Embarcados | Ryzen Embedded 5000, 7000, 8000, 9000, P100, R1000, R2000, V1000, V2000 e V3000 |
| Servidor | EPYC 4004, EPYC 4005 e EPYC Embedded 2005 e 4005 |
A presença do Ryzen Z1 e do Ryzen Z2 coloca portáteis como o ROG Ally e o Legion Go dentro do escopo, ainda que o vetor de ataque exija privilégios elevados no sistema.

As correções saíram em maio, meses antes do anúncio
A AMD entrega as mitigações no formato de firmware de inicialização de plataforma (PI), que os fabricantes de placas-mãe integram às suas próprias BIOS. O boletim registra as datas em que cada versão foi liberada aos OEMs, e o calendário é anterior à divulgação pública.
| Linha | Firmware corrigido | Liberado aos OEMs |
|---|---|---|
| Threadripper 7000 | StormPeakPI-SP6 1.1.0.0l | 11/05/2026 |
| Ryzen 3000 desktop | ComboAM4PI 1.0.0.11 | 18/05/2026 |
| Ryzen 7000, 8000 e 9000 | ComboAM5PI 1.3.0.1b | 21/05/2026 |
| Ryzen Z2 | StrixKrackanPI-FP8 1.1.0.0g | 26/05/2026 |
| Ryzen 4000 e 5000 desktop | ComboAM4v2PI 1.2.0.12 | 27/05/2026 |
| Ryzen 7000, 8000 e 9000 | ComboAM5PI 1.2.0.3k | 31/05/2026 |
| Ryzen Z1 | PhoenixPI-FP8-FP7 1.2.0.0h | 01/06/2026 |
As revisões ComboAM5PI 1.3.0.1b e 1.2.0.3k já apareceram em atualizações de BIOS de varejo ao longo de junho e julho nas quatro principais fabricantes de placas-mãe AM5. O ponto de atenção é que a distribuição nunca é simultânea: modelos topo de linha costumam receber primeiro, e placas de entrada podem levar semanas.
Quem quiser confirmar a situação da própria máquina precisa checar a versão de AGESA declarada no changelog da BIOS instalada e compará-la com a revisão listada acima para a sua linha de processador.
Ryzen AI e Pluton ficam para depois
Há um asterisco relevante nas linhas mais novas. Para Ryzen AI 300, Ryzen AI 400 e Ryzen AI Max 300, o boletim indica que os firmwares já liberados corrigem apenas o fTPM, e que a mitigação para o Pluton estava com liberação prevista para agosto.
| Linha | Firmware com correção de fTPM | Pluton |
|---|---|---|
| Ryzen AI 300 | StrixKrackanPI-FP8 1.1.0.0g e 1.1.0.2f | Previsto para agosto de 2026 |
| Ryzen AI 400 desktop | ComboAM5PI 1.3.0.1b | Previsto para agosto de 2026 |
| Ryzen AI 400 móvel | GorgonPI-FP8 1.0.0.2d | Previsto para agosto de 2026 |
| Ryzen AI Max 300 | StrixHalo PI-FP11 1.0.0.2c | Previsto para agosto de 2026 |
O Pluton é o processador de segurança criado pela Microsoft e integrado ao die em parceria com AMD, Intel e Qualcomm, funcionando como raiz de confiança embarcada. Nas plataformas em que ele assume o papel de TPM, a correção de fTPM sozinha não fecha a conta.
Intel reportou a falha e também aparece como afetada
O crédito da descoberta vai para quatro pesquisadores da Intel: Liran Perez, Zecharye Galitzky, Shai Sarfati e Yanai Moyal. Eles levaram o caso ao Vulnerability Response Team do TCG, que coordenou a divulgação com o CERT/CC.
A nota do CERT/CC lista 35 fornecedores notificados a partir de 20 de abril, e a Intel consta no mesmo grupo da AMD, com status “Affected” para os dois CVEs.
Absolute Software, Ampere, Meta e a biblioteca libtpms responderam como não afetados. Microsoft, Dell, Lenovo, HP, NVIDIA, Qualcomm, Infineon, STMicroelectronics, Nuvoton, Broadcom e AWS ainda figuram com situação desconhecida, o que sugere que a lista de falhas de firmware derivadas desse código deve crescer nas próximas semanas.
A AMD foi notificada em 20 de abril e enviou sua declaração formal ao CERT/CC em 3 de agosto, oito dias antes da publicação simultânea dos avisos.
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Segunda rodada de problemas no mesmo código em pouco mais de um ano
A AMD já havia passado por episódio parecido com o boletim AMD-SB-4011, que tratava do CVE-2025-2884, outra leitura fora dos limites no mesmo código de referência do TCG.
A correção daquele caso chegou pelo AGESA 1.2.0.3e em junho de 2025, com nota 6.6 na escala CVSS 3.1. O recorte atual traz índices bem mais altos e um conjunto de linhas afetadas consideravelmente maior.
Os dois CVEs entraram no Patch Tuesday de agosto da Microsoft, publicado no mesmo dia 11, entre os 421 registros do pacote, classificados ali como falhas de terceiros no TPM 2.0.
Atualização de sistema operacional, no entanto, não substitui firmware. A camada que precisa ser reescrita fica abaixo do Windows, e chega ao usuário pela BIOS do fabricante da placa ou do notebook. Sem esse passo, o fTPM continua rodando o código antigo.
Fonte(s): AMD, CERT/CC, Trusted Computing Group e SecurityWeek
