Atualização do Windows 11 cria novo bug na Lixeira e Microsoft corre para corrigir
Mais uma atualização do Windows 11 saiu pela culatra. O pacote de segurança KB5094126 , lançado em 9 de junho, corrigiu um número recorde de falhas, mas trouxe junto um bug na Lix…

Mais uma atualização do Windows 11 saiu pela culatra. O pacote de segurança KB5094126, lançado em 9 de junho, corrigiu um número recorde de falhas, mas trouxe junto um bug na Lixeira que deixa a exclusão de arquivos confusa, além de problemas bem mais sérios em outras frentes.
A Microsoft reconheceu o caso da Lixeira em 18 de junho e avisou que a solução só chega em 14 de julho, na próxima leva de atualizações. Outras falhas relatadas pelos usuários seguem sem reconhecimento oficial.
Como o bug da Lixeira se manifesta?
O sintoma aparece no momento de apagar um arquivo de vez: ao confirmar a exclusão permanente, a janela mostra um identificador interno do tipo $R4ABC12 no lugar do nome real do arquivo.
A boa notícia é que o problema fica restrito à caixa de diálogo (quando a gente clica com o botão direito nela). Na listagem da Lixeira, o nome correto continua visível, e arquivos restaurados voltam com o nome original intacto.

A própria Microsoft tratou de tranquilizar quem usa o sistema.
“O problema afeta apenas a caixa de confirmação. Na Lixeira, o item continua aparecendo com o nome de arquivo original.”
Microsoft, em documento de suporte
O risco é apagar a coisa errada sem perceber… Para quem gerencia muitos arquivos de uma vez, confiar no nome exibido na confirmação virou cilada. A recomendação é conferir a coluna de localização antes de clicar em “Sim”.
A causa: uma falha de 23 anos fechada
O motivo é até engraçado, o bug nasceu de uma medida de segurança que tapou uma vulnerabilidade de buffer não verificado com 23 anos de idade no processador de arquivos desktop.ini do Windows Shell.
Como efeito colateral, a atualização fez a janela de exclusão parar de ler o arquivo de metadados que liga os identificadores internos aos nomes legíveis. Resultado: o sistema passou a exibir o código bruto, do tipo $R, em vez do nome que o usuário conhece.
O alcance é amplo, pois a falha atinge o Windows 11 nas versões 26H1, 25H2, 24H2 e 23H2, o Windows 10 22H2, todas as edições LTSC e LTSB do Windows 10 e ainda o Windows Server de 2012 a 2025. Não é caso isolado de uma build específica.
BitLocker, OneDrive e Office também entraram na conta
A Lixeira é o problema mais visível, mas longe de ser o mais grave. Máquinas corporativas com BitLocker ou Device Encryption ativos vêm reiniciando direto na tela de recuperação após instalar o update, segundo relatos compilados por Neowin e BleepingComputer.
O padrão se concentra em hardware empresarial, como os HP EliteBook 840 G10 e ProBook 460 G11 e alguns notebooks Dell Precision, onde o novo tratamento de certificados de Secure Boot entra em conflito com firmwares mais antigos.
Como parte desses aparelhos nunca foi vinculada a uma conta Microsoft, nenhuma chave de recuperação foi salva automaticamente, e há dispositivos praticamente inutilizados até a chave ser recuperada à mão no Active Directory ou no Azure AD.
A tabela abaixo resume o estado de cada problema:
| Problema | Reconhecido pela Microsoft | Correção prevista |
|---|---|---|
| Nome interno na Lixeira | Sim | 14 de julho |
| Office via apps de terceiros (OLE) | Sim | 14 de julho |
| Tela de recuperação do BitLocker | Não | sem data |
| OneDrive em PCs de domínio | Não | sem data |
| Travamentos e perda de rede local | Não | sem data |
No caso do Office, a quebra atinge a automação OLE, mecanismo que apps de terceiros usam para abrir Word, Excel, PowerPoint e Access.
Programas de áreas como odontologia (Dentrix e Softdent) e contabilidade (CCH ProSystem fx) aparecem entre os afetados. A falha é silenciosa: o usuário clica e nada acontece, sem mensagem de erro.
O maior Patch Tuesday da história e o dilema de desinstalar
O KB5094126 foi o maior pacote mensal já lançado pela Microsoft em volume de correções. Foram 208 falhas tapadas, sendo 38 classificadas como críticas, três zero-days divulgados publicamente e ao menos uma vulnerabilidade, a CVE-2026-41091 no Microsoft Defender, já sendo explorada ativamente.
Aí mora o impasse. Desinstalar o update faz o bug da Lixeira sumir e pode resolver as travas de BitLocker e OneDrive, mas reabre o sistema a 208 brechas já corrigidas, incluindo as que estão sob ataque no mundo real.
Trocar uma dor de cabeça por um risco de segurança não é uma escolha confortável para administradores de TI.

A acusação de “vibe coding” volta à tona
A quantidade de problemas reacendeu um debate antigo sobre a qualidade do Windows. No Reddit e no X, usuários apontaram a declaração do CEO da Microsoft, Satya Nadella, de que cerca de 30% do código da empresa já é escrito por inteligência artificial.
O termo “vibe coding”, gíria para programação assistida por IA com pouca revisão humana, virou explicação automática para qualquer regressão.
Vale a ressalva: não há ligação confirmada entre o uso de IA e os bugs do KB5094126. A Microsoft não comentou se ferramentas de IA participaram do código desta atualização, e o problema da Lixeira tem causa técnica clara e sem relação com a forma como o código foi escrito.
A percepção, porém, gruda por causa do contexto. A empresa ofereceu desligamentos voluntários a milhares de seus engenheiros mais experientes e vem investindo pesado em Copilot enquanto enxuga quadros em áreas como Azure e games.
Entre a base de usuários, a ideia de que a Microsoft entrega software menos confiável já está fixada, com ou sem prova.
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O que fazer até 14 de julho
Para o usuário doméstico, a melhor saída é esperar. A correção dos problemas reconhecidos chega no Patch Tuesday de 14 de julho, e desinstalar o pacote não compensa diante das brechas de segurança que ele fecha.
Já quem usa o Windows 11 em ambiente corporativo tem uma carta extra: a Microsoft disponibiliza uma solução de contorno para clientes empresariais via Microsoft Support for Business. Para o caso do BitLocker, o procedimento relatado por administradores passa por desativar o Secure Boot na BIOS, concluir a instalação e religar o recurso depois.
No fim, a lição se repete. Antes de aplicar um update cumulativo em larga escala, vale testar em um grupo piloto e manter as chaves de recuperação do BitLocker à mão. O tamanho recorde deste pacote apenas deu mais superfície para algo dar errado.
Fonte(s): Microsoft (Windows Release Health Dashboard)
