Brasileiros usam o Reclame Aqui para protestar contra fim da mídia física no Playstation
A decisão da PlayStation de encerrar a produção de jogos em mídia física a partir de 2028 continua gerando repercussão entre consumidores. No caso brasileiro, além de críticas nas…

A decisão da PlayStation de encerrar a produção de jogos em mídia física a partir de 2028 continua gerando repercussão entre consumidores. No caso brasileiro, além de críticas nas redes sociais e da participação na mobilização internacional contra a medida, jogadores passaram a recorrer ao Reclame Aqui.
Através da plataforma, os usuários registram sua insatisfação contra a recente decisão da Sony de acabar com as mídias físicas em 2028.
Ou seja, parte dos consumidores decidiu transformar a plataforma, tradicionalmente usada para resolver problemas de atendimento e produtos, em um espaço de protesto contra a nova estratégia da fabricante.
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Preços altos e perda de direitos

Muitos jogadores afirmam que pretendem abandonar o ecossistema PlayStation caso a empresa mantenha a decisão. Em uma das reclamações, um consumidor classifica a mudança como “um absurdo e uma falta de respeito ao consumidor”, afirmando que não pretende adquirir consoles das próximas gerações.
Vale ressaltar que o preço estimado do Playstation 6 já está estimado em próximo de US$ 1 mil, o que é outro fator agravante.
Outra manifestação critica a dependência total da loja digital. O usuário afirma que os preços dos jogos digitais são elevados e argumenta que, sem discos, os consumidores perdem alternativas como emprestar, trocar ou revender seus jogos.

Tal abordagem é similar ao problema levantado pelo movimento Stop Killing Games. Ou seja, sem a possibilidade de uma propriedade física do jogo, os jogadores só possuem uma licença do jogo.
E grande parte das reclamações faz um raciocínio semelhante, ou seja, que a migração para um modelo exclusivamente digital reduz as opções do consumidor e aumenta a dependência dos preços praticados na PlayStation Store.
Petição internacional

Para pesadelo da Sony, a insatisfação com a mudança anunciada pela Sony é global. A campanha Don’t Kill the Disc, criada poucos dias após a revelação da PlayStation, já ultrapassou a marca de 251 mil assinaturas (no momento da redação do texto).
O movimento pede que a empresa mantenha a opção de jogos físicos nas próximas gerações de consoles. O texto destaca que o objetivo não é impedir a distribuição digital, mas preservar a liberdade de escolha dos consumidores.
Entre os argumentos apresentados estão a possibilidade de colecionar jogos, emprestar mídias, revendê-las e garantir maior preservação dos títulos no longo prazo. Algo que muitas empresas não parecem se preocupar e que é levantado em casos que seriam chamados de “pirataria” (mas, sem um fornecimento oficial, não são).
Ao menos por hora, a petição não tem força legal para obrigar mudanças. Porém, ela se tornou um dos principais símbolos da reação da comunidade desde o anúncio feito pela PlayStation no início de julho e isso pode gerar alguma mudança legal.
PS Plus e redes sociais

Parte da comunidade também passou a cancelar assinaturas do serviço PlayStation Plus como forma de protesto. E, nas redes sociais, jogadores vêm compartilhando capturas de tela mostrando o cancelamento do serviço, enquanto outros prometem deixar de comprar produtos.
Infelizmente, analistas do mercado acreditam que esse movimento dificilmente fará a Sony recuar. Em entrevista ao IGN, o CEO da consultoria Kantan Games, Serkan Toto, afirmou que a empresa já esperava uma reação negativa e que o modelo digital representa uma parcela muito mais lucrativa do negócio.
Assim, mesmo um grande número de cancelamentos do PS Plus teria impacto limitado diante da base de dezenas de milhões de assinantes do serviço: “Digamos que 500 mil cancelem suas assinaturas em protesto; isso representaria apenas 1% desse negócio”. E Isso não é suficiente para a Sony repensar a decisão.
Caso o movimento ganhe força, tudo pode mudar. E as publicações oficiais da PlayStation seguem recebendo milhares de comentários relacionados ao fim da mídia física, indicando que a discussão deve continuar nas próximas semanas (e, talvez, meses).
Além disso, várias empresas também publicaram suas “versões”, parodiando a Playstation, mas gerando algum engajamento com o conteúdo. Dois exemplos foram o GitHub e a Zotac India.

No primeiro caso, o GitHub (que pertence à Microsoft) afirmou que permitiria aos desenvolvedores encomendar um CD gravado com o conteúdo de seus repositórios públicos. No caso da Zotac India, a piada foi um tanto de mal gosto ao afirmar a possibilidade de “baixar placas de vídeo”.
Silêncio
Por hora, a Sony não anunciou qualquer mudança em seu plano de abandonar a produção de novos jogos em disco a partir de 2028. Nas redes sociais, a companhia segue realizando publicações não relacionadas ao assunto.
Nos bastidores, a Sony começou a realocar recursos de uma de suas maiores fábricas utilizadas para a produção de jogos em mídia física. E a companhia também começou a avisar, na página de venda do drive de disco do PS5, que a produção de jogos em mídia física será encerrada em 2028.
Parece que, para empresa voltar atrás, os jogadores terão que fazer um esforço significativamente maior. Infelizmente, as expectativas não são otimistas, dado que, segundo um analista, as marcas PlayStation e Xbox não valorizam lealdade dos fãs.
Fonte: Reclame Aqui.
