Copa do Mundo: tecnologia da bola decidiu lance em França x Senegal?
Mesmo com diversos craques desfilando pelos gramados de Estados Unidos, México e Canadá, um dos destaques da Copa do Mundo de 2026 é a sua bola e as tecnologias integradas a ela.…

Mesmo com diversos craques desfilando pelos gramados de Estados Unidos, México e Canadá, um dos destaques da Copa do Mundo de 2026 é a sua bola e as tecnologias integradas a ela. Mas será que os sensores inseridos na Trionda foram os responsáveis por decidir um lance no final do jogo entre França e Senegal?
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A jogada em questão aconteceu nos instantes finais da partida disputada nesta terça-feira (16), no MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA). Em uma investida pela ponta direita, um jogador da seleção senegalesa cruzou a bola para a área, e o volante francês Aurélien Tchouaméni desviou contra a própria meta.
O lance obrigou o goleiro Mike Maignan a se esticar para realizar a defesa exatamente sobre a linha do gol, o que gerou uma dúvida instantânea sobre se a bola havia entrado completamente ou não. A decisão foi de “não gol”, mas não ficou claro para muitos torcedores se o árbitro foi auxiliado pela tecnologia da Trionda ou por outro recurso.
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"Goal-line technology" foi quem decidiu o lance
Embora a Trionda tenha sido lançada com tecnologias que lhe renderam o status de “computador” em campo, a tecnologia que validou a intervenção de Maignan foi a Goal-line Technology (GLT).
Esse recurso estreou oficialmente na Copa do Mundo de 2014, disputada no Brasil, e foi projetado para determinar instantaneamente se a bola ultrapassou completamente a linha do gol.
O sistema em questão não depende dos dados gerados pelos sensores instalados no interior da bola. A GLT, na verdade, funciona com uma infraestrutura própria que conta com 14 câmeras de alta velocidade instaladas no estádio.
Essas câmeras são direcionadas especificamente para as duas metas e conseguem identificar a posição exata da bola em tempo real. Em situações como a da partida entre França e Senegal, a informação é processada e transmitida automaticamente ao relógio do árbitro em menos de um segundo.
Para Everaldo Pereira, coordenador do curso de Design do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), essa solução utilizada na Copa do Mundo é um exemplo de como diferentes recursos tecnológicos trabalham em conjunto para tornar as decisões mais precisas.
"O que percebemos é que um conjunto de tecnologias promove esse rastreamento em tempo real, ampliando a percepção do que acontece em campo para jogadores, árbitros e torcedores. Esses recursos são importantes tanto para garantir o cumprimento das regras do jogo quanto para oferecer uma experiência mais rica ao público."
Como a tecnologia da Trionda ajuda o VAR
Se a GLT é a responsável por determinar se a bola cruzou a linha do gol, a Trionda foi projetada para auxiliar em outras decisões em campo, especialmente aquelas que dependem do Árbitro Assistente de Vídeo (VAR). Para isso, a bola desenvolvida pela Adidas conta com um sensor de Unidade de Medição Inercial (IMU) alimentado por uma bateria interna.
Essa estrutura, inclusive, explica o fato de a bola usada na Copa do Mundo de 2026 precisar ser recarregada antes do início das partidas. Durante o jogo, o sensor monitora aceleração, velocidade e movimentação espacial, transmitindo dados em uma frequência de 500 Hz, ou seja, 500 vezes por segundo.
Esses recursos fazem parte da tecnologia adidas Connected Ball, desenvolvida pela fabricante esportiva em colaboração com a empresa Kinexon.
O sistema foi integrado à bola para ajudar os árbitros a identificar com precisão cada toque ocorrido nela, reduzindo o tempo necessário para analisar lances complexos.
Graças à tecnologia da Trionda e à integração com 16 câmeras de rastreamento espalhadas pelo estádio, jogadas que envolvem possíveis toques de mão, desvios sutis e impedimentos semiautomáticos podem ser analisadas de forma mais rápida e eficiente, contribuindo para acelerar o processo de revisão do VAR.
Segundo Pereira, o uso dessas ferramentas também demonstra como diferentes áreas do conhecimento precisam atuar em conjunto para viabilizar soluções cada vez mais sofisticadas em grandes eventos esportivos.
"Esse conjunto de recursos melhora a experiência das pessoas em relação à Copa do Mundo. Essas funcionalidades também mostram como conhecimentos interdisciplinares, como eletrônica, engenharia e design, se unem para viabilizar soluções complexas como as utilizadas no torneio."
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