Do terremoto ao tornado: como a tecnologia tenta antecipar eventos extremos
Uma onda de eventos extremos deixou rastros de destruição em diferentes regiões da América do Sul nas últimas semanas. Um dos mais recentes foi…
Uma onda de eventos extremos deixou rastros de destruição em diferentes regiões da América do Sul nas últimas semanas. Um dos mais recentes foi o terremoto de magnitude 7,4 na Colômbia, em agosto, que derrubou prédios inteiros e vitimou centenas de pessoas. No Brasil, a região Sul é a mais afetada por ciclones-bomba e tornados, além de estar na rota dos efeitos do super El Niño que está se formando neste segundo semestre.
Com toda a força desses fenômenos naturais, tragédias ainda maiores poderiam ocorrer sem o avanço da tecnologia de previsibilidade de clima e sismografia. A ciência tem trabalhado cada vez mais na antecipação e no preparo que devemos ter para mitigar os impactos das mudanças climáticas em todo o planeta.
No caso da sismologia, a corrida tecnológica é contra o tempo. Isso porque a ciência ainda não consegue prever com grande antecedência quando um terremoto irá acontecer e nem a sua magnitude, embora as áreas de risco, onde estão as bordas das placas tectônicas, já sejam mapeadas desde o século XIX.
Segundo o professor Francisco Mendonca, do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o maior avanço na previsão dos terremotos está na transição dos sismógrafos tradicionais fixos, que avisam a chegada dos abalos sísmicos com minutos de antecedência, para os sismógrafos móveis de alta precisão.
“O sismógrafo tradicional já instalado, ele consegue avisar a ocorrência daquelas ondas de primeiro impacto. E o sismógrafo móvel de tecnologia muito avançada, ele já aponta com detalhe para a segunda onda, que são as ondas que quando ocorrem aí sim com impactos muito fortes ”, explica.
O professor pontua que, ao primeiro sinal, as pessoas já são orientadas a evacuar prédios e residências em poucos minutos por conta do risco de desmoronamento. Com esse tipo de alerta foi possível salvar a vida de milhares de pessoas em terremotos como o da Colômbia ou até mesmo o da Venezuela em junho deste ano.
Um outro grande aliado na antecipação dos fenômenos naturais está na órbita da Terra. Os satélites têm papel fundamental na observação e no mapeamento das áreas de risco envolvendo abalos sísmicos, eventos climáticos e até de queimadas. Mendonça explica que a eficácia dessa previsão acontece graças a uma atuação conjunta de satélites, estações meteorológicas e medições da superfície, e lembra do caso prático de Rio Bonito do Iguaçu, cidade do interior paranaense que ficou 90% destruída e registrou seis mortes após um forte tornado em novembro de 2025.
"Com algumas horas de antecedência, o SIMEPAR avisou a Defesa Civil para evacuar a cidade ou levar a população a se proteger. O alerta veio em 24 horas, 12 horas, 6 horas, na hora, e isso permitiu que as pessoas pudessem se proteger de alguma maneira. Isso é tecnologia aplicada", relembra.
IA e letramento para acelerar a ação preventiva
Se por um lado estamos registrando mais eventos extremos por conta da emergência climática, por outro a capacidade tecnológica de detecção aumentou exponencialmente nos últimos 40 anos.
Para o professor da UFPR, a inteligência artificial surge como um divisor de águas. Ele explica que a grande contribuição desta tecnologia está na velocidade para correlacionar imensas variáveis, como população, sismologia e meteorologia, e a capacidade de traduzir dados científicos complexos em alertas rápidos e acessíveis para a população comum.
A comunicação via SMS e software também foi outro avanço evidente na Defesa Civil em todo o país. Desde 2024, o órgão consegue emitir alertas de desastres e enchentes nos celulares com sinal de operadora com base na geolocalização dos usuários, o chamado Cell Broadcast.
Historicamente, o Brasil adotou uma cultura de remediação para os desastres. Hoje, o professor avalia que estamos buscando mais precaução e prevenção, algo que exige uma mudança cultural profunda e que precisa ir além dos avisos, orientando a população também sobre o que fazer e para onde ir.
"O letramento climático é uma estratégia em que a gente vai até as populações vulneráveis e expostas aos riscos e trabalha com jovens, com crianças, com idosos, com adultos sobre temas climáticos com a linguagem simples e acessível”, afirma.
Entenda detalhes de como funciona o sistema de alerta de emergências da Defesa Civil e sobre a corrida tecnológica para prever tornados antes que eles existam.
{{WHATSAPP_CHANNEL}}
