Doom agora roda em uma câmera Canon lançada há 16 anos
Uma Canon EOS 550D lançada em 2010 é o novo dispositivo capaz de rodar Doom. Um projeto publicado no GitHub adaptou o clássico da id Software para funcionar como um módulo do Magi…

Uma Canon EOS 550D lançada em 2010 é o novo dispositivo capaz de rodar Doom. Um projeto publicado no GitHub adaptou o clássico da id Software para funcionar como um módulo do Magic Lantern, permitindo jogar diretamente na tela da câmera e controlar o personagem pelos botões físicos e pelo dial originalmente destinados à fotografia.
O Doom550D possui suporte a save e load, diferentes arquivos WAD, música e efeitos sonoros, além de uma configuração especial que aproveita o framebuffer de 720 × 480 pixels da câmera. A versão v0.4.1 é descrita pelo próprio projeto como experimental, mas é considerada pelo desenvolvedor a versão jogável mais bem testada até agora.
O código-fonte e a documentação estão disponíveis publicamente no repositório Doom550D no GitHub.
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Botões da Canon EOS 550D viram os controles de Doom
Talvez a parte mais divertida da adaptação seja descobrir o que acontece com os controles de uma câmera quando ela passa a executar um FPS.
As setas direcionais servem para andar para frente e para trás e virar o personagem. O botão SET dispara a arma, enquanto PLAY abre portas e aciona interruptores.
O dial traseiro da EOS 550D ganhou uma função que parece especialmente estranha em uma câmera fotográfica: girá-lo troca entre as armas que o jogador possui. O botão DISP abre o automapa e MENU acessa o menu tradicional de Doom. Segurar o controle de zoom positivo faz o personagem correr, enquanto a combinação do zoom negativo com as setas laterais permite o strafe.
Alguns controles ficaram propositalmente de fora. ISO, botão de profundidade de campo e obturador não são utilizados pelo jogo porque continuam sendo tratados pela própria Canon em uma camada inferior à do módulo. Tentar aproveitá-los poderia fazer a câmera exibir elementos da interface, acionar o autofoco ou simplesmente roubar o comando que deveria chegar ao Doom.
O port aproveita o framebuffer de 720 × 480 da câmera
O projeto também recebeu um modo de tela cheia criado especificamente para a EOS 550D. Nessa configuração, Doom é renderizado internamente em 360 × 240 pixels. Cada pixel produzido pelo jogo ocupa exatamente um bloco de 2 × 2 pixels no framebuffer de 720 × 480 usado pela câmera, sem interpolação.
A barra de status tradicional desaparece nesse modo para liberar espaço à imagem. Menus, automapa, telas entre fases e sequências finais continuam utilizando o layout clássico de 320 × 200 pixels de Doom.
O áudio é outro ponto em que o Doom550D vai além de um port básico. O módulo lê diretamente as músicas no formato MUS armazenadas no WAD selecionado e utiliza um sintetizador desenvolvido para consumir poucos recursos do processador. Ele trabalha com 24 vozes a 24 kHz, que depois são convertidas para a saída de áudio de 48 kHz da Canon.
Esse áudio é misturado aos efeitos sonoros originais de 8 bits de Doom. O sintetizador não tenta reproduzir com exatidão o clássico OPL2 associado às placas AdLib. A solução usa ondas quadradas, triangulares, dente de serra e outras formas simples para produzir um caráter retrô sem comprometer o desempenho da câmera, música e efeitos podem ter seus volumes controlados separadamente pelo próprio menu de Doom.
Dá até para salvar a partida na câmera
O Doom550D cria arquivos separados de acordo com o WAD utilizado. O módulo também registra informações para detectar quando um save pertence a outro WAD ou se tornou incompatível, em vez de simplesmente tentar carregá-lo e potencialmente produzir um estado inválido.
Configurações do jogo, volume da música e volume dos efeitos também são preservados. A câmera pode trabalhar com até 32 IWADs, organizados alfabeticamente. Entre os arquivos previstos estão os de Doom, The Ultimate Doom, Doom II, Final Doom: TNT Evilution, Plutonia Experiment e as versões livres do Freedoom. O repositório não distribui os arquivos comerciais dos jogos.
Há até um menu secreto. Pressionar três vezes rapidamente o botão de apagar abre opções para cheats clássicos, seleção de músicas disponíveis e troca de fases compatíveis com o WAD carregado.
Magic Lantern é a peça que permite transformar a câmera
O Doom550D funciona como um módulo do Magic Lantern, projeto de software conhecido por adicionar funções extras a determinadas câmeras Canon. A EOS 550D está entre os modelos suportados pelo projeto. O Magic Lantern possui builds específicos para cada câmera e não é um software oficial da Canon.
No caso do Doom550D, a compatibilidade é ainda mais restrita.
A versão publicada foi desenvolvida especificamente para a Canon EOS 550D, também comercializada como Rebel T2i e Kiss X4, utilizando o firmware Canon 1.0.9 e uma versão correspondente do Magic Lantern.
O próprio desenvolvedor faz um alerta explícito: o arquivo doom.mo disponibilizado para a 550D não deve ser instalado em outro modelo ou em uma câmera com firmware diferente.
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