Emulador ARMSX2 recebe suporte ao System Link e permite multiplayer em jogos de PS2 no Android
O ARMSX2 liberou na última semana a função de System Link, recurso que devolve o multiplayer em rede local aos jogos de PlayStation 2 rodando em celulares e portáteis. A novidade…

O ARMSX2 liberou na última semana a função de System Link, recurso que devolve o multiplayer em rede local aos jogos de PlayStation 2 rodando em celulares e portáteis. A novidade veio na versão 2.6.5.1, publicada no GitHub e na Play Store em 25 de julho.
O System Link era o modo usado no console original para ligar dois ou mais aparelhos por cabo de rede e jogar partidas com telas separadas. O recurso ganhou popularidade antes da banda larga se espalhar, quando conectar consoles fisicamente era a forma mais confiável de reunir amigos na mesma sessão.
A implementação no emulador exige que os dispositivos estejam na mesma conexão de internet. Um hotspot de celular resolve o problema quando não há roteador por perto.
Como a conexão funciona no emulador
O registro de alterações da versão indica que também é possível jogar pela internet, fora da rede local, mas o caminho passa por VPN. Sem esse intermediário, o tráfego do System Link não atravessa redes diferentes.
A limitação faz sentido do ponto de vista mais técnico, visto que o modo original do PS2 trabalhava com descoberta automática de consoles dentro do mesmo segmento de rede, algo que a internet aberta não replica sem um túnel virtual por cima.
Para quem tem dois aparelhos em casa ou combina de jogar com alguém no mesmo ambiente, o recurso funciona sem configuração adicional além de conectar ambos ao mesmo Wi-Fi.

Dezenas de títulos aceitam a conexão
O catálogo de jogos com suporte a System Link no PlayStation 2 passa de várias dezenas de títulos. A lista reúne alguns dos nomes mais lembrados da sexta geração:
| Jogo | Gênero |
|---|---|
| Gran Turismo 4 | Corrida |
| Série SOCOM: U.S. Navy SEALs | Tiro tático |
| Call of Duty 2: Big Red One | Tiro em primeira pessoa |
| Star Wars: Battlefront e Battlefront II | Tiro em terceira pessoa |
| Série Tony Hawk | Esporte radical |
Gran Turismo 4 é o caso mais emblemático, já que o jogo permitia corridas com até seis consoles ligados em rede, cada jogador com sua própria tela em resolução cheia, arranjo impossível no modo de tela dividida da mesma versão.
Os Star Wars: Battlefront também dependiam do recurso para partidas com mais de dois participantes, algo que a divisão de tela do console limitava severamente.
Backup em arquivo zip único
Poucos dias depois, a versão 2.6.5.3 acrescentou uma função de backup e restauração. A opção de fazer cópia dos dados do aplicativo gera um único arquivo compactado com memory cards, save states, capas de jogos, configurações individuais por título, perfis de controle, cheats e capturas de tela.
O recurso resolve um problema específico de quem instala pela Play Store. Usuários que optaram por pasta customizada de instalação já não perdiam os dados ao desinstalar o aplicativo, mas o Google não permite esse tipo de configuração nas versões distribuídas pela loja oficial.
Com o zip, migrar para outro aparelho ou fazer instalação limpa deixa de significar perda de progresso acumulado.

Do código traduzido ao ARM64 nativo
O ARMSX2 chegou ao estado atual em pouco menos de um ano. A versão 1.0 saiu no fim de outubro de 2025 e operava com uma camada de tradução que convertia o código x86 do PCSX2 para ARM64 em tempo real, abordagem parecida com a do Rosetta 2 da Apple.
A escolha acelerou o desenvolvimento, mas cobrava seu preço em desempenho. O emulador rodava abaixo do NetherSX2 nos primeiros meses, situação que a equipe sempre tratou como temporária.
Houve grande melhoria com o ARMSX2 Refresh, lançado em junho de 2026 para Android, iOS e macOS. A versão abandonou a tradução e passou a executar instruções nativas em ARM64, com o núcleo atualizado para a base 2.7 do PCSX2.
Um projeto que nasceu de um vácuo
A emulação de PS2 no Android ficou sem opção aberta desde o encerramento do AetherSX2, no início de 2023. O NetherSX2, derivado do projeto abandonado, seguiu funcionando bem, mas depende de código fechado com quase cinco anos de idade e sem caminho de atualização.
O ARMSX2 surgiu para abocanhar esse espaço: o desenvolvedor MoonPower, com apoio de jpolo1224, partiu do repositório PCSX2_ARM64 criado pelo desenvolvedor Pontos e transformou o trabalho em um projeto próprio sob licença GPL 3.0, com meta declarada de alcançar paridade de recursos com o PCSX2 de desktop.
A equipe é direta sobre o modelo do projeto no repositório oficial. O nome foi escolhido apenas por rodar em dispositivos ARM, sem qualquer vínculo com a ARM Holdings, e o financiamento se limita a contribuições espontâneas:
“Não queremos nenhum incentivo comercial com o emulador”
O texto também esclarece que o ARMSX2 não tem associação oficial com o PCSX2 nem com outros forks derivados do repositório original.

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BIOS própria segue como pré-requisito
Nenhum dos avanços recentes altera a exigência que o projeto repete em toda documentação: o emulador não funciona sem uma imagem da BIOS extraída de um PlayStation 2 de propriedade do usuário. O arquivo não é distribuído junto com o aplicativo e precisa ser gerado a partir do console físico.
Esse é o filtro que sobra depois de todo o trabalho de engenharia. Um celular com Snapdragon recente roda Shadow of the Colossus, mas continua inerte sem os poucos MegaBytes da BIOS original.
O repositório do ARMSX2 acumula cerca de 930 estrelas no GitHub e mantém lista pública de compatibilidade, builds de teste e canal aberto para relatos de bugs. Quem quiser acompanhar a evolução encontra o histórico completo de versões na própria página de releases do projeto.
Fonte(s): Android Authority e GitHub
