Emulador de PS5 já roda jogos 3D a 30 FPS e avança em ritmo impressionante
O emulador de PS5 Kyty passou a rodar dois jogos 3D com gameplay em tempo real e desempenho na casa dos 30 FPS, cerca de duas semanas depois de esses mesmos títulos conseguirem ap…

O emulador de PS5 Kyty passou a rodar dois jogos 3D com gameplay em tempo real e desempenho na casa dos 30 FPS, cerca de duas semanas depois de esses mesmos títulos conseguirem apenas dar boot. O ritmo do avanço foi descrito é notável para quem acompanha o projeto desde os primeiros boots.
O número redondo vale para um jogo específico e vem com ressalvas visuais relevantes. O segundo título jogável opera abaixo disso, na faixa de 22 a 24 quadros por segundo.
Os testes foram publicados em 29 de julho pelo usuário @cantworkitout, que documentou as duas sessões em vídeo. O KytyPS5 e o SharpEmu são os dois projetos à frente da corrida, com estratégias bastante diferentes entre si.
XIII chega a 30 FPS, mas o cenário não renderiza direito
O primeiro caso é XIII, remake de 2020 do clássico de 2003. O jogo aceita comandos do jogador e mantém gameplay em tempo real, com contador chegando a 30 FPS.
O Tom’s Hardware coloca a palavra jogável entre aspas por um motivo concreto: as falhas visuais são evidentes. O cenário não renderiza corretamente e as texturas aparecem quebradas em várias cenas, ainda que sem inviabilizar por completo a sessão.
XIII é um jogo relativamente leve em termos de exigência, e a hipótese levantada é que o visual em cell shading acrescente complexidade à emulação em vez de facilitá-la.
“XIII agora está jogável a cerca de 30 FPS.” (@cantworkitout, em publicação de 29 de julho)
O segundo título é Teenage Mutant Ninja Turtles: Wrath of the Mutants, que roda entre 22 e 24 FPS. O comportamento é o inverso do anterior: o jogo trava na primeira tentativa de abertura, mas depois de reiniciado se mantém estável e sem os defeitos gráficos vistos em XIII. A fluidez visivelmente irregular não tira o mérito técnico do resultado.
| Jogo | Estado no Kyty | Desempenho | Observação |
|---|---|---|---|
| XIII (remake de 2020) | Jogável | Até 30 FPS | Texturas quebradas em várias cenas |
| TMNT: Wrath of the Mutants | Jogável | 22 a 24 FPS | Trava na primeira execução e estabiliza depois |
| GTA 5 | Dá boot | Não divulgado | Sem demonstração de gameplay |
| Demais jogos 3D | Executam | Bem abaixo | Desempenho muito inferior aos dois acima |

SharpEmu escolheu resolver o problema por baixo
O SharpEmu avança mais devagar em compatibilidade, e isso não representa estagnação. A equipe optou por priorizar precisão e infraestrutura em vez de fazer jogo por jogo funcionar, conforme o próprio repositório no GitHub descreve.
A consequência prática aparece em títulos como Astro Bot, que ainda não alcança o estado de gameplay por causa de problemas de baixo nível não resolvidos. O ganho está no longo prazo, já que correções nessa camada tendem a destravar vários jogos de uma vez.
| Aspecto | Kyty | SharpEmu |
|---|---|---|
| Foco declarado | Ampliar compatibilidade | Precisão e infraestrutura de baixo nível |
| Marco recente | XIII jogável a 30 FPS | Criação de personagem em Demon’s Souls Remake |
| Gargalo atual | Falhas visuais e desempenho | Problemas de baixo nível travam Astro Bot |
| Repositório | KytyPS5/KytyPS5 | sharpemu/sharpemu |
O SharpEmu é escrito em C# sob licença GPL e soma cerca de 2,4 mil estrelas no GitHub, com 160 forks e 225 commits até a versão publicada em 15 de julho, conforme o Adrenaline apurou anteriormente.
O RPCSX e desenvolvedores independentes completam o grupo que empurra a cena.
A arquitetura do console da Sony ajuda
Parte da explicação para um progresso tão rápido está no hardware. O console da Sony atual se parece muito mais com um PC comum do que qualquer geração anterior.
| Elemento | PlayStation 3 | PlayStation 5 |
|---|---|---|
| CPU | Cell com SPUs, arquitetura proprietária | x86-64 da AMD |
| GPU | RSX derivada da linha G70 da NVIDIA | RDNA 2 da AMD |
| Distância em relação a um PC | Grande | Pequena |
Essa proximidade reduz o trabalho de tradução que um emulador precisa fazer. O contraste com o PS3 é gritante: o RPCS3 levou anos para chegar a uma taxa alta de compatibilidade justamente porque a CPU Cell não tem equivalente direto em máquinas x86.
Outro fator entrou na conta em janeiro de 2026, quando chaves de ROM do PlayStation 5 vazaram e permitiram que desenvolvedores desencriptassem e analisassem o bootloader do aparelho.
GTA 6 acelerou a disputa
O calendário explica boa parte do interesse, já que com o lançamento de Grand Theft Auto 6 marcado para este ano e o GTA 5 já dando boot no Kyty, os dois projetos entraram em uma corrida que nenhum deles parecia disputar meses atrás.
A decisão da Sony de encerrar a produção de mídia física adiciona urgência ao trabalho de preservação, tema que motivou boa parte dos desenvolvedores envolvidos.
Vale o alerta que sempre damos: nada disso está em estado de uso cotidiano. Dois jogos em desempenho de 30 FPS com falhas visuais, dentro de um catálogo de milhares de títulos, representa um marco técnico e não uma alternativa ao console.
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Os emuladores não distribuem jogos
Um ponto costuma se perder na empolgação com os números de quadros. Nenhum dos dois projetos distribui jogos, sistema ou chaves. Ambos são código aberto e gratuitos no GitHub, e cabe ao usuário providenciar as cópias dos títulos que possui.
Essa distinção separa o trabalho de engenharia reversa da distribuição não autorizada, e é justamente ela que sustenta juridicamente projetos como o RPCS3 há mais de uma década.
Para quem acompanha a tribo de emulação, o dado mais relevante desta semana não é o contador de FPS, e sim o intervalo: catorze dias separam o primeiro boot de um jogo 3D do primeiro gameplay em tempo real. Se esse ritmo se mantiver, a próxima barreira deixa de ser rodar e passa a ser rodar bem.
Fonte(s): Tom’s Hardware e GitHub
