Estudante usa bot de IA e invade banco da Microsoft com 17 trilhões de linhas de dados
Um estudante de 16 anos encontrou uma falha em um sistema interno da Microsoft que poderia dar acesso a bancos com cerca de 17,3 trilhões de linhas de dados . O pesquisador…
%3Aquality(85)%2F53dee3d4-b2d5-4dfe-bfa7-5f05e7056eab.png&w=3840&q=75)
Um estudante de 16 anos encontrou uma falha em um sistema interno da Microsoft que poderia dar acesso a bancos com cerca de 17,3 trilhões de linhas de dados. O pesquisador, conhecido pelo pseudônimo "Faav", contou com a ajuda de um bot de inteligência artificial desenvolvido por ele próprio para investigar o problema e chegou a obter privilégios de administrador na plataforma.
O número, porém, não significa que 17 trilhões de informações pessoais tenham sido vazadas. Trata-se de uma estimativa do volume armazenado em 17 bancos de análise que poderiam ser alcançados pela vulnerabilidade.
Faav afirma que não baixou o conteúdo em massa nem acessou dados pessoais de clientes.
A falha foi comunicada à Microsoft no início de setembro. A empresa restringiu o acesso ao sistema quatro dias depois e pagou uma recompensa de US$ 5 mil (cerca de R$ 26 mil) ao pesquisador pelo relato, dentro de seu programa de caça a vulnerabilidades.
Como o estudante encontrou a falha?
A investigação começou em 25 de agosto, quando o Antares, ferramenta de IA criada por Faav, encontrou uma interface de programação de aplicações (API) ligada ao Titan, plataforma interna da Microsoft usada para análise de dados.
O painel principal exigia uma rede privada virtual (VPN) utilizada por funcionários da companhia. O bot, porém, identificou uma API separada hospedada na infraestrutura Azure e acessível pela internet.
Nos dez dias seguintes, o Antares ajudou a testar automaticamente as diferentes barreiras de autenticação encontradas no sistema. A ferramenta utiliza modelos como Codex e Claude para automatizar parte do trabalho de pesquisa de segurança.
O problema estava na forma como o Titan analisava os JSON Web Tokens (JWT), arquivos digitais usados por serviços para confirmar a identidade e as permissões de uma pessoa ou aplicativo.
Um JWT normalmente contém uma assinatura criptográfica que permite ao servidor verificar se aquela credencial realmente foi emitida por uma fonte confiável e não foi alterada. Segundo Faav, o Titan conferia diferentes informações presentes no token, mas deixava de verificar justamente essa assinatura.
Mesmo com a ajuda da IA, a etapa decisiva foi humana. O Antares conseguiu avançar pelas verificações, mas não encontrou um usuário reconhecido pelo sistema. Faav percebeu que o campo de identificação poderia estar ligado a contas locais do Titan e tentou usar o nome “admin”. A plataforma associou a identificação a uma conta com privilégios administrativos.
“Antares não teria chegado até aqui sozinho, e nem eu”, escreveu o pesquisador ao descrever como a automação da IA e sua própria interpretação dos resultados contribuíram para encontrar a vulnerabilidade.
O que ficou acessível?
Com o acesso administrativo, Faav encontrou metadados da própria plataforma, incluindo aproximadamente 25 mil registros relacionados a contas e e-mails. Desse total, havia 17.990 registros de e-mails de funcionários e 15.001 registros com informações organizacionais.
O pesquisador também identificou fontes de análise relacionadas ao Bing. Para verificar se os dados realmente estavam acessíveis, realizou apenas duas consultas limitadas a uma linha cada, sem fazer uma coleta em larga escala.
Ao analisar a infraestrutura conectada ao Titan, ele encontrou 17 bancos de dados e 9.863 nomes de tabelas. Os metadados indicavam um total de 17.333.335.124.315 linhas armazenadas. O próprio pesquisador ressalta que esse número provavelmente inclui dados históricos, duplicados e informações derivadas de outras bases.
Microsoft corrigiu problema em quatro dias
Faav reportou a vulnerabilidade ao Microsoft Security Response Center (MSRC) em 5 de setembro. Durante a investigação, a empresa pediu que ele interrompesse novos testes e fornecesse o endereço IP utilizado, para confirmar o limite das atividades realizadas.
Em 9 de setembro, a Microsoft bloqueou o acesso ao endpoint afetado. O pesquisador recebeu a recompensa de US$ 5 mil em 17 de setembro e se reuniu posteriormente com representantes da empresa para coordenar a divulgação pública do caso.
Em declaração incluída no relato de Faav, a Microsoft afirmou que a descoberta ajudou a companhia a reforçar seus serviços e agradeceu ao pesquisador pela divulgação responsável da vulnerabilidade. A empresa também participou da revisão do texto antes de sua publicação, segundo o próprio estudante.
Veja mais de IA no Canaltech: Como funciona a memória do Claude?
{{WHATSAPP_CHANNEL}}
