Exclusivo: Dublagem de Witch Hat Atelier enfrentou mistérios do mangá
O lançamento do anime Witch Hat Atelier na Crunchyroll fez um estrondoso sucesso na atual temporada, com destaque para a sua narrativa, animação de qualidade e personagens carismá…

O lançamento do anime Witch Hat Atelier na Crunchyroll fez um estrondoso sucesso na atual temporada, com destaque para a sua narrativa, animação de qualidade e personagens carismáticos.
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Para trazer isso de forma adequada ao nosso Brasil, a plataforma de streaming e o estúdio DuBrasil (Frieren e a Jornada para o Além, Diários de uma Apotecária) realizaram um trabalho intenso com sua dublagem para dar voz a essas figuras.
Em conversa exclusiva com o Canaltech, o diretor de dublagem Guilherme Marques e os dubladores Helena Violante e Lucas Gama (Coco e Qifrey, respectivamente) revelaram detalhes desse processo de trazer vida aos heróis, assim como o que esperar do fim do primeiro arco.
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Um dos pontos altos da conversa foi sobre os desafios técnicos para trazer a história dublada ao público. De acordo com Guilherme, esse é um projeto muito minucioso, feito pela sua equipe em conjunto com a própria Crunchyroll.
O diretor de dublagem revelou que tudo é discutido, para ver como a narrativa será contada da melhor forma. Além da expertise dos dois lados, eles levam em consideração também o que provocará menos estranhamento nos fãs da obra.
Um exemplo disso é o reconhecimento de que o título não foi a primeira entrada de Witch Hat Atelier no país. Com isto em mente, eles buscam a melhor forma de traduzir seus elementos.
“Já existe uma tradução oficial que é a do mangá. Isso precisa ser respeitado, para não chocar o público. É todo um trabalho em equipe, mas chega para nós como ‘estes são os termos’ e vemos um por um. Às vezes temos de retrucar algum e dizer: ‘Pô gente, não é melhor isso aqui a gente fazer de outro jeito’ ou ‘Olha, isso aqui no mangá está diferente’”, revela Guilherme.
O diretor reforça que muito deste esforço já chega “mastigado” ao estúdio, já que a Crunchyroll define previamente como eles querem o nome dos personagens, título da animação e outras características. Contudo, eles dão vida a tudo isso durante as gravações.
“Nossa missão vira uma questão da interpretação, de trazer isso para o português e justamente entender o que foi feito no original para adaptar do japonês. Se tornar uma coisa que soe familiar para todos e que nos comove. Trazemos estilos de interpretação diferentes, uma outra melodia, com um jogo de palavras único e uma forma distinta de dividir as sentenças”, afirma o responsável pela dublagem de Witch Hat Atelier.
Para Guilherme Marques, eles atuam como regentes de uma sinfonia. Pegam o anime em japonês, as exigências de plataformas como a Crunchyroll e o mangá para compor a sua própria interpretação da obra.
“O trabalho, ao lado da tradução e com os atores dentro do estúdio, é orquestrar essa parte toda. Tecnicamente, cada um deles chega em um período ou dia completamente diferente para fazer só as suas falas. Meu olhar como diretor serve justamente para alinhar todos para que as coisas, depois de montadas, conversem adequadamente e a gente extraia o que eles e seus personagens têm de melhor”, reforça o diretor de dublagem
Determinadas características deste processo podem se tornar grandes desafios, principalmente quando uma história segue em andamento. Para não terem de realizar mudanças bruscas, o estúdio tem de estudar cada escolha com cuidado.
Em Witch Hat Atelier, Guilherme teve uma tarefa adicional com o personagem Iguin. O misterioso vilão traz uma presença que impacta diretamente no processo de dublagem — tanto no original japonês quanto no brasileiro.
“A voz japonesa de Iguin é feita por uma dubladora, uma atriz. Porém, ela também faz personagens masculinos. Além disso, seu visual é um pouco mais andrógino, apesar de eles serem muito reservados quanto a vida particular. Para entendermos quem é aquela pessoa e transportar isso para cá, deu trabalho”, revela o diretor.
Ele enxerga esta dualidade como algo complexo para ser encontrado, mas que conseguiram um dublador com um potencial de voz similar para fazer este processo na versão em português brasileiro da obra.
“Tivemos de buscar alguém, no caso o Fellipe Defall, para termos só essa característica. É importante lembrar que não sabemos que personagem é esse. Nem no mangá isso foi revelado. Então, qual é a sua identidade? São pegadinhas, coisas que precisamos nos atentar para não tomar uma surpresa ali na frente e ter de rever tudo que foi feito”, conclui.
A magia da voz em Witch Hat Atelier
Toda a trama gira em torno de Coco, uma menina encantada por magia que acaba com um livro misterioso em suas mãos. Sem entregar muitos spoilers, a história passa a andar quando ela causa um acidente e envolve sua mãe no seu descuido.
A partir disso, ela descobre a verdade sobre o mundo mágico e é levada por Qifrey para treinar suas habilidades. Porém, não só isso, mas também serve como fio condutor para identificar quem foi o responsável por dar este livro nas mãos dela e quais são os seus objetivos.
Para dar voz à Coco, Helena Violante traz como uma de suas grandes forças a sua proximidade com a protagonista. Para a dubladora, o que encanta cada uma é o que uniu as duas durante as gravações de Witch Hat Atelier.
“Eu acho que ela tem muito, muito a ver comigo. Eu gosto demais da determinação dela. Vejo que a paixão da personagem por magia é igual a minha pela dublagem. Acho que isso é o que eu mais me identifico com ela. Além disso, ela é sensível, muito determinada no que faz, tem otimismo e sempre pensa que tudo vai dar certo”, revela Helena.
Apesar de ver o mundo com positividade, a figura também carrega temores e uma baixa autoestima. De acordo com a voz de Coco, esse também foi um fator que as aproximou.
“Ela também tem um pouco de pessimismo às vezes, em alguns momentos a vemos falar: ‘Ai, não vou conseguir. Professor Qifrey, me ajuda’. Isso combina comigo, porque quando fiz o teste, me questionei muito se ia passar”, afirmou a dubladora.
Conforme vemos a protagonista evoluir nas telas, Helena Violante revela que aprende muito e isso traz um crescimento maior. A jovem iniciou na carreira há pouco tempo e acredita que será vista de outra forma no mercado, a partir deste projeto.
“Interpretar a Coco impactou bastante na minha carreira. É uma bagagem enorme para mim, porque eu sou dubladora há 3 anos só. Pegar uma personagem tão importante, para mim, foi um ponto de virada. Eu sinto que, aos poucos, estou evoluindo e crescendo muito mais graças a ela”, reforçou.
Além de fazer parte do elenco de Witch Hat Atelier, Helena também foi responsável por dublar 12B em NieR: Automata Ver.1.1a; Alicia Glenfall (criança) em Clevatess e Charlotte Anana, uma das filhas da vilã Big Mom em One Piece.
Como dublar um personagem misterioso?
Enquanto Helena Violante dá voz à Coco, Lucas Gama empresta a sua ao misterioso professor Qifrey — que tem seus próprios objetivos dentro da obra e investiga o grupo de vilões que tem agido por trás das sombras.
Na trama, ele é o responsável por salvar a protagonista de um grande acidente e passa a ensiná-la no caminho mágico. Contudo, ele não revela tudo o que sabe e o que pretende quando cumprir sua missão e torna sua presença dúbia na trama.
Na visão do dublador, este é um dos aspectos que ele mais gosta quando grava as falas do tutor. Toda esta aura ao redor dele permite que ele explore bastante o “professor” com todas as nuances que carrega.
“O Qifrey é uma pessoa que você não sabe qual que é a dele. Acho que esse é o mais divertido de fazer, porque quando você pensa que ele é um anjinho, supertranquilo, aparece um outro lado dele mais misterioso e você se pergunta: ‘qual que é desse cara, hein?’. Assim podemos brincar com a voz e com a interpretação, tem também muitas quebras de personagem, com as meninas e com todos os outros, então é muito divertido”, diz Lucas.
Ele admite que ele próprio tem um lado semelhante ao do mestre, que também ajuda a se aproximar melhor durante todo o processo para dar sua voz.
“Sou uma pessoa tranquila, muito ‘de boas’. O Qifrey é ‘tranquilão’ também. Ele é muito da paz, assim, pelo menos deste lado que conhecemos dele, é o meu lado também. Foi muito gostoso poder dar voz a ele, um presente muito grande. Também é uma grande responsabilidade, já que tinha muita gente na expectativa de como seria a voz dele”, reforça o dublador.
Imersão em Witch Hat Atelier
Uma das características que mais encantou Helena Violante e Lucas Gama no desenho foi a animação, que apresenta um patamar similar ao que é visto em obras que chegam aos cinemas — como nos capítulos extras de Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba e Chainsaw Man.
Este detalhe impressionou e foi a garantia de que a obra seria extremamente popular. Os dubladores afirmam que não conheciam o material original nesta época, mas que todo o universo ao redor os cativou da mesma forma.
Para Helena, ver o projeto em ação foi surpreendente e mostrou a força que ele teria junto aos apaixonados por animes. Ela detalha que o combo da expectativa com a qualidade foi um tiro certeiro na comunidade.
“Eu não conhecia o mangá na época, mas quando vi o trailer, achei a animação muito bonita. Eu pensei: ‘Nossa, vai ser muito popular’, porque a galera estava esperando muito. A obra já estava em produção há mais de três anos, eu acho. Depois que descobri isso, foi o momento que eu me toquei: ‘Nossa, eu acho que vai bombar’”, revelou a dubladora.
Durante a conversa, Lucas levantou o volume 5 do mangá de Witch Hat Atelier e declarou: “Não conhecia a história, aí depois, quando descobri, fiquei completamente apaixonado. Inclusive, comprei todos os volumes de mangá e é muito bom”. No seu ponto de vista, conhecer o material original é importante.
“Nada é melhor também do que você absorvê-lo da raiz. Entender as motivações dele. E acho que, eu vou descobrir em breve”, afirmou, enquanto mostrava a página na qual estava da publicação.
O dublador também ressalta que isso funciona bem para ele, durante o processo de compreender as figuras que interpreta e suas intenções com cada movimento realizado na história. Assim, ele crê que traz o melhor de cada oportunidade.
“Pensei: ‘Quero fazer meu trabalho da melhor forma possível e entendê-lo, porque ele é muito complexo. Recebemos o anime de forma semanal ou quinzenal, mas vocês veem quinzenal. Então, eu refleti que queria saber qual é a pegada do personagem, para explorar e entender melhor, falar com mais propriedade também”, revela Lucas Gama.
Por fim, Guilherme Marques destaca que a magia do título, na verdade, mescla todos estes comentários em uma história. Para o diretor de dublagem, não se trata de apenas um elemento que faz toda a aclamação da obra, mas sim um conjunto de qualidades.
Em sua visão, todas as características que se reúnem em Witch Hat Atelier são complementares — da trama aos personagens, com destaque também para a abordagem e a forma como tudo é construído diante dos espectadores.
“Eu vejo que o anime tem uma sensibilidade muito grande. Na relação e história, no crescimento também, já que lidamos com quatro protagonistas crianças. Mas todas têm um histórico, uma bagagem e um drama, que vamos descobrindo e trabalhando. A Coco, por exemplo, já vem com esse histórico dela um pouco mais desenhado, mas com uma intensidade dramática. O Qifrey, por outro lado, a gente vai descobrindo”, afirma Guilherme.
Contudo, todo o projeto em volta da produção também merece destaque e ele ressalta a importância de tudo se conectar tão bem — mesmo que acredite que a verdadeira joia da animação seja a forma como é mostrado o avanço das heroínas.
“Além disso, tem a parte técnica que é belíssima. Porém, minha interpretação sobre o diferencial dela tem sido sentido pela construção dos personagens. Eles não são uma coisa só, a gente acha que eles vêm de um jeito, aí você descobre, entende e eles vão evoluindo. Esse progresso é um grande diferencial, é o que torna Witch Hat Atelier ainda mais bonito”, revela o diretor de dublagem.
O fim da primeira temporada
Apesar de não poder dar spoilers sobre o fim da primeira temporada da animação, Guilherme promete que veremos cenas que podem mudar a nossa percepção sobre tudo o que foi apresentado até aqui.
Ele revela que já assistiu a todos os episódios, apesar de não tê-los liberado para a equipe de voz de forma tão antecipada. Contudo, nos dá uma pequena visão do que esperar para o fim deste arco atual.
“Eu acho que é um final que vai deixar um gancho muito legal para uma próxima temporada, que eu espero que venha logo, não demore outros três anos. Vai trazer uma evolução dos personagens muito grande e algumas surpresas, personagens novos e alguns dramas um tanto pesados”, diz.
Já Helena Violante e Lucas Gama revelam que sentem uma grande gratidão pelo público ter acompanhado sua jornada em Witch Hat Atelier. A segunda temporada já foi confirmada e está em produção, mas eles apontam que estão focados ainda neste fim da história.
A dubladora de Coco diz que está muito feliz com todo o carinho dos fãs, o que ajudou a obra a se tornar um grande sucesso também no Brasil.
“Quero dizer que eu amo todos vocês. Também gostaria de agradecer muito pelo carinho que vocês têm com o anime, com os dubladores em português brasileiro. Fico muito feliz que está se tornando popular, que as pessoas gostaram e eu quero muito que, quando acabe a temporada, tenha aquele gostinho de quero ver mais. Quero a próxima temporada logo, porque está muito legal”, afirma Helena.
Por outro lado, a voz de Qifrey revela que a resposta dos espectadores nas redes sociais foi intensa e também segue contente demais com a repercussão que tem visto.
“Recebi muitas mensagens no TikTok, Instagram, YouTube, no X e as pessoas curtiram bastante. O pessoal nos defende também e ficaram muito felizes com as escolhas de vozes. Então eu só tenho que agradecer, principalmente ao fandom, a todo mundo que acompanha dublado e que torce pela gente. Espero que venham muitas temporadas para a gente curtir, se divertir e descobrir também mais mistérios, porque olha, tem babado”, diz Lucas.
Ele conclui com um agradecimento especial para os fãs de Witch Hat Atelier e quem acompanhou sua carreira ao longo dos anos.
“Gostaria de agradecer infinitamente a todos que acompanham o anime e dizer que estou me esforçando. Todos estão fazendo um trabalho muito legal, sem exceção, e eu acho que vocês vão gostar muito dessa reta final. Eu sei que está muito legal. Obrigado, 1 milhão de vezes, porque sem o público, sem todo mundo para dar apoio à gente, a gente não estaria aqui”.
O último episódio da primeira temporada de Witch Hat Atelier foi lançado nesta segunda-feira (22) e conclui o arco inicial com 13 episódios. No momento, todos estão disponíveis para assistir na Crunchyroll.
Já a próxima, ainda que em produção, segue sem uma data prevista de estreia. Mais informações devem ser divulgadas pelo estúdio e pela plataforma de streaming nos próximos meses.
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