Experimento alimenta PC com 192 pilhas AA e mantém sistema estável por mais de 30 minutos
Um criador conhecido como Uwoslab conseguiu ligar um PC com pilhas AA comuns e manter a máquina rodando por mais de meia hora sem qualquer conexão com a tomada. Foram 192 células…

Um criador conhecido como Uwoslab conseguiu ligar um PC com pilhas AA comuns e manter a máquina rodando por mais de meia hora sem qualquer conexão com a tomada. Foram 192 células alcalinas ligadas entre si, sem fonte ATX e sem inversor de tensão no caminho.
O sistema não apenas iniciou como passou por teste de estresse com a CPU em 98% de uso, manteve a tensão estável e ainda rodou o FreeDoom, versão livre do clássico da id Software.
O experimento foi documentado em transmissão no YouTube e detalhado pelo Tom’s Hardware em 19 de julho.
Como as pilhas foram organizadas
O plano original era mais ambicioso: Uwoslab comprou quatro pacotes com 100 pilhas cada, totalizando 400 células, e pretendia montar 50 conjuntos. A montagem final ficou em 192 unidades distribuídas por três caixas de madeira cortadas a laser.
| Item | Configuração |
|---|---|
| Pilhas efetivamente usadas | 192 alcalinas AA |
| Pilhas compradas | 400, em quatro pacotes de 100 |
| Caixas | 3, em madeira cortada a laser |
| Pilhas por caixa | 64 |
| Células por encaixe | 4 |
| Tipo de célula | alcalina high-drain Pookell, 1,5 V |
A lógica elétrica é que cada conjunto de oito células de 1,5 V ligadas em série entrega exatamente os 12 V que a placa-mãe espera. Esses conjuntos foram então ligados em paralelo entre si, arranjo que aumenta a corrente disponível sem alterar a tensão.
As caixas serviram como estrutura e ponto de ancoragem. Clipes e placas de contato nas extremidades funcionaram como terminais negativo e positivo, e fita adesiva reforçada terminou de fixar o conjunto.
Não foi a primeira tentativa do criador. Um experimento anterior usou pilhas de 9 V de zinco-carbono e fracassou: o computador não se mantinha ligado por mais que alguns segundos. A troca para alcalinas partiu justamente dessa frustração.
Nada de fonte ATX no caminho
O erro comum em montagens desse tipo é ligar as baterias a um inversor de 12 V para 220 V e depois plugar uma fonte convencional. Cada conversão desperdiça energia, e o custo se acumula rápido em um sistema alimentado por células alcalinas.
Uwoslab pulou as duas etapas. A saída do banco de pilhas foi ligada diretamente a uma placa adaptadora DC-ATX de 12 V, conectada na placa-mãe. O caminho da energia vai da pilha ao hardware sem nenhuma conversão intermediária, arranjo que preserva a eficiência do conjunto.
A escolha das células também foi calculada. As pilhas do tipo high-drain trocam capacidade total por tensão mais firme sob corrente elevada, característica que importa mais que autonomia bruta em um teste de estabilidade.
Segundo a estimativa do próprio autor, 400 dessas células em cenário ideal entregariam cerca de 160 W por dez horas seguidas.

A máquina: AM4 sem placa de vídeo e sem armazenamento
O computador usado é um sistema em soquete AM4 sem GPU dedicada, o que aponta para um processador da linha G da AMD, com gráficos integrados. Consumo baixo era requisito, não escolha estética.
Não há SSD nem disco rígido no equipamento. O sistema operacional roda inteiramente a partir de um pen drive, eliminando mais um componente da equação de consumo.
O restante da configuração não foi divulgado. O foco da transmissão ficou na alimentação, não na plataforma.
Hannah Montana Linux, a distro que voltou dos mortos
O sistema escolhido para o teste foi o Hannah Montana Linux, distribuição lançada em 2009 e inteiramente tematizada em torno da personagem interpretada por Miley Cyrus na série da Disney.
O projeto ficou parado por quase duas décadas e recebeu um remaster recente. A versão 26 é construída sobre Debian, com o KDE Plasma repaginado no visual original da distro, o que finalmente colocou o sistema em dia com quase 18 anos de correções de segurança.
A escolha é claramente uma piada interna da comunidade. Nada impediria o uso de qualquer outra distribuição, mas o resultado rendeu a imagem improvável de um benchmark profissional rodando sobre uma interface roxa temática.
Os números do teste
| Medição | Valor |
|---|---|
| Tensão inicial do banco | 13 V |
| Tensão sob carga máxima | 11,95 V, estável |
| Uso de CPU durante o teste | 98% |
| Ferramenta de estresse | stress-ng |
| Autonomia registrada | mais de 30 minutos |
| Estimativa restante do autor | algumas horas adicionais |
A queda de pouco mais de 1 V entre repouso e carga total é o dado mais relevante da tabela. Pilhas alcalinas perdem tensão de forma progressiva conforme descarregam, comportamento que costuma inviabilizar cargas sensíveis como uma plataforma x86 moderna.
Manter 11,95 V estáveis com a CPU no limite indica que o dimensionamento em paralelo deu conta da corrente exigida.
O relato do resultado veio do próprio autor, em publicação de 17 de julho.
“FUNCIONOU! Diferente da tentativa com 9 V, dessa vez o desktop rodou por 30 minutos sem descarregar. Pela capacidade no fim do teste, ele provavelmente aguenta mais algumas horas antes de a queda de tensão ficar grande demais. Fizemos benchmark com o Hannah Montana Linux”
Uma divergência nos números
Vale registrar uma inconsistência entre as fontes. A contagem de 192 pilhas vem da descrição da montagem, com três caixas de 64 unidades cada, e é o número adotado pelo Tom’s Hardware.
Na própria publicação em que anunciou o resultado, porém, o criador menciona 200 pilhas AA. O título da transmissão original ainda cita 400 células, número que correspondia ao plano inicial e não à montagem executada.
A estrutura descrita sustenta 192 como valor final. As demais cifras aparecem como arredondamento do autor e como meta abandonada durante o processo.
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Quatro quilos de pilhas para meia hora de computador
Uma pilha alcalina AA pesa cerca de 23 gramas. As 192 unidades da montagem somam aproximadamente 4,4 quilos apenas em células, antes de contar as três caixas de madeira, os clipes, os contatos e a fiação.
O contraste com a estimativa teórica é o dado mais interessante do experimento. Pela conta do próprio autor, 400 células entregariam 160 W por dez horas em condição ideal, o que colocaria as 192 usadas em torno de 770 Wh no papel. O teste real durou 30 minutos com folga declarada de mais algumas horas.
A diferença entre os dois números mostra o custo de puxar corrente alta de química alcalina. Células desse tipo entregam a capacidade nominal em consumos baixos, como controles remotos e relógios, e perdem parte relevante dela quando forçadas a alimentar uma CPU em carga total.
Para efeito de comparação, uma bateria selada de chumbo de 12 V com 7 Ah, item comum em nobreaks de entrada, guarda 84 Wh em um bloco de cerca de 2,5 quilos, e entrega essa energia sem exigir 192 pontos de contato soldados à mão.
Fonte(s): Tom’s Hardware, Uwoslab no YouTube e publicação do criador no X
