Fim da mídia física deve resultar em games mais caros e menos descontos
No começo desta semana, a PlayStation chamou a atenção do mundo ao anunciar que, a partir de 2028, não vai mais produzir jogos em mídia física. Como uma das forças dominantes do m…

No começo desta semana, a PlayStation chamou a atenção do mundo ao anunciar que, a partir de 2028, não vai mais produzir jogos em mídia física. Como uma das forças dominantes do mercado de jogos, a empresa justificou a decisão por um desejo de acompanhar os hábitos dos consumidores — que podem acabar sendo prejudicados com ela.
Uma reportagem do Kotaku, que consultou diversos especialistas, mostra que, caso a empresa seja bem-sucedida em acabar com a mídia física, isso deve resultar em games mais caros e com menos descontos. Isso porque o movimento é visto como uma tentativa de consolidar poder e barrar concorrentes.
Segundo o analista Daniel Ahmad, da Niko Partners, a PlayStation realmente tem vendido menos jogos físicos — mas a quantidade deles ainda é impressionante. Somente em 2025 foram registradas mais de 70 milhões de transações do tipo, para um total de 500 milhões de caixinhas e discos durante a geração atual.
PlayStation está tentando aumentar margens de lucro ao acabar com a mídia física
Joost van Dreunen, da NYU Stern, explicou ao Kotaku que a decisão da PlayStation tem como objetivo aumentar suas margens de lucro. No entanto, ela pode ser arriscada em um momento no qual a possibilidade de uma nova geração de consoles custando mais de US$ 1 mil é bastante realista.

“Tirar os discos aumenta as margens, mas provavelmente vai exigir uma maior capacidade de armazenamento, o que também está mais caro”, explicou. Enquanto o custo de produção e distribuição de games físicos não é absurdo, ele ainda é muito maior do que aqueles envolvidos na distribuição digital.
Assim, a PlayStation acredita que tem muito a ganhar ao converter as milhões de vendas de discos em transações feitas em sua loja digital. Enquanto a revenda de games não é mais algo tão comum no passado, a empresa também vai se ver feliz em se livrar do que restou desse mercado.
Edições de colecionador e selos especializados vão ser prejudicados

Para James McWhiter, da Omdia, o fim de suporte a discos físicos deve desvalorizar muito as edições de colecionador disponíveis no mercado. De forma semelhante, selos especializados em jogos retrô ou em lançamentos que anteriormente eram exclusivamente digitais também vão ser prejudicados.
Com isso, empresas que atuam nesse espaço vão ser forçadas a se transformar e assumir responsabilidades de publicadoras tradicionais. Caso o PlayStation mate a mídia física, empresas como Super Rare Games, Red Art Games e Limited Run correm um grande risco de deixar de existir.
Fim da mídia física deve resultar em aumentos de preços
Ao adotar uma postura exclusivamente digital, a PlayStation vai conseguir aumentar imediatamente suas margens de lucro. No entanto, Rhys Elliot, da Alinea Analytics, alerta que isso não vai resultar em uma diminuição de preços — na verdade, o caminho contrário pode ser seguido.

Ao virar a única loja na qual conteúdos estão disponíveis, a PSN vai ter mais liberdade para fazer reajustes e criar situações nas quais ou consumidores pagam caro, ou ficam sem o conteúdo que desejam. De forma semelhante, a empresa vai ter menos motivos para praticar descontos intensos.
Elliot argumenta que, além da PlayStation, a decisão também pode beneficiar desenvolvedores. Isso porque eles vão se livrar da obrigação de produzir versões “Gold” de seus títulos, que são feitas para garantir a impressão de cópias físicas. Com isso, eles devem ganhar alguns meses adicionais para finalizar seus trabalhos, sem a pressão de ter que preparar uma build funcional com alguma antecedência.
Fonte: Kotaku
