Governo Federal pode voltar a taxar compras internacionais de baixo valor em 2027
A “taxa das blusinhas”, cancelada pelo governo ainda em 2026 , vai ressurgir em 2027 com uma roupagem diferente: em vez do imposto de importação de 20%, o Brasil passa…

A “taxa das blusinhas”, cancelada pelo governo ainda em 2026, vai ressurgir em 2027 com uma roupagem diferente: em vez do imposto de importação de 20%, o Brasil passará a cobrar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) sobre compras internacionais de baixo valor. A mudança é resultado direto da reforma tributária sobre o consumo e impacta quem compra em plataformas como Shopee, AliExpress e Shein.
A alíquota da CBS ainda não foi definida, mas estimativas da consultoria Roit apontam para 9,43% em 2027. O valor será fixado por resolução do Senado até dezembro de 2026, com base em cálculos da Receita Federal em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU).
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O QUE MUDA COM A CBS
Diferente do antigo imposto de importação, que incidia especificamente sobre encomendas de até US$ 50, a CBS não depende desse limite. O novo tributo seguirá a mesma lógica para produtos nacionais e importados, aplicando alíquotas iguais independentemente da origem da mercadoria. A fase de testes já começou em 2026, com o imposto destacado na nota, mas a cobrança plena vale apenas no ano que vem.
Além da CBS, os estados continuarão taxando as encomendas internacionais. As alíquotas do ICMS estadual sobre importações abaixo de US$ 50 variam de 17% a 20%, dependendo da unidade da federação. O consumidor que compra em plataformas internacionais seguirá pagando mais de um tributo sobre o mesmo produto.
ALÍQUOTA ESTIMADA EM 9,43%
Em 2024, o governo havia projetado uma alíquota de 8,8% para a CBS. No entanto, novas exceções foram adicionadas ao longo do tempo, como carnes e medicamentos, pressionando a taxa para cima. A área econômica não fez nova projeção oficial, mas o cálculo independente da Roit estima 9,43% como alíquota provável para 2027.
O objetivo do governo é manter o patamar atual de carga tributária sobre o consumo, sem reduzir a arrecadação federal. Para isso, também conta com o imposto seletivo, incidente sobre álcool, cigarro, refrigerantes e veículos poluentes. As alíquotas desse tributo ainda serão definidas pelo Congresso Nacional, e, quanto menores forem, maior precisará ser a CBS para compensar.
A TRAJETÓRIA DA “TAXA DAS BLUSINHAS”
| Período | O que vigorava |
|---|---|
| Antes de 2024 | Isenção para encomendas até US$ 50 no programa Remessa Conforme |
| Agosto de 2024 | Criação do imposto de importação de 20% pelo Congresso |
| 2025 | Arrecadação recorde de R$ 5 bilhões com o imposto |
| Maio de 2026 | Governo revoga a taxa via Medida Provisória assinada por Lula |
| 2026 (atual) | CBS em fase de testes, tributo destacado na nota |
| 2027 | CBS com alíquota plena substitui o imposto de importação |
COMÉRCIO NACIONAL APOIA A MUDANÇA
Para o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne empresas como Americanas, Magazine Luiza, Casas Bahia e Lojas Renner, a cobrança da CBS a partir de 2027 corrige uma distorção do mercado. Segundo a entidade, a isenção anterior criava uma situação não isonômica entre os varejistas brasileiros e as plataformas internacionais. A CBS, ao tratar nacionais e importados da mesma forma, buscaria equilibrar essa disputa.
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Representantes de setores produtivos também defenderam alguma forma de tributação, citando impactos positivos sobre empregos e sobre a inflação no setor têxtil. A polêmica, porém, persiste: consumidores que aproveitavam os preços baixos das plataformas asiáticas devem sentir o aumento no bolso a partir do ano que vem. Vale lembrar que o imposto chegou a render R$ 5 bilhões aos cofres públicos somente em 2025, antes de ser revogado.
Fonte: g1
