Placas AMD agora podem rodar jogos com NVIDIA PhysX graças a projeto open source
Rodar o NVIDIA PhysX em placas AMD sempre foi um beco sem saída, mas a barreira começou a cair. A nova versão da biblioteca open source ZLUDA , batizada de v6, passou a executar o…

Rodar o NVIDIA PhysX em placas AMD sempre foi um beco sem saída, mas a barreira começou a cair. A nova versão da biblioteca open source ZLUDA, batizada de v6, passou a executar o PhysX em GPUs Radeon e entregou um ganho de até 3x em um clássico de 2010.
O salto apareceu no benchmark interno de Mafia II rodando em uma Radeon RX 9070 XT, com tudo no máximo e o PhysX ligado. A média pulou de 26,2 para 80,2 FPS, e a cena ganhou efeitos de destroços e fogo que antes não rodavam em hardware da AMD. Tudo isso sem precisar de uma segunda placa só para a física, o caminho caro que era a única saída até agora.
ZLUDA coloca o PhysX para rodar na Radeon
O ZLUDA é uma biblioteca open source que executa aplicações CUDA sem modificação em GPUs que não são da NVIDIA. O suporte ao PhysX está em um trabalho de longa data, o PR #651, que ainda não foi finalizado, mas já adiciona o PhysX de 32 bits a placas sem a função embarcada.
Atraves dela, jogos antigos que dependiam do recurso passam a render mais quadros em uma GPU Radeon. Em alguns títulos, o dono de uma placa da AMD vê pela primeira vez efeitos extras de física, como detritos e chamas, que ficavam restritos às GeForce.

Mafia II saltou de 26 para 80 FPS
O exemplo divulgado pelo desenvolvedor é o benchmark embutido de Mafia II, na versão original de 2010, com gráficos no máximo e PhysX ativado. A diferença entre desligar e ligar o ZLUDA fala por si.
| Mafia II (1440p, tudo no máximo) | FPS médio |
|---|---|
| Sem ZLUDA (PhysX via CPU) | 26,2 |
| Com ZLUDA v6 (PhysX na Radeon) | 80,2 |
O teste usou uma Radeon RX 9070 XT ao lado de um Ryzen 9 9950X3D. O ganho de cerca de 3x tira esses jogos do limbo: em vez de apenas abrir, eles voltam a ser jogáveis em hardware que nunca teve suporte oficial ao PhysX acelerado.

Por que as placas novas perderam o PhysX
A questão do PhysX virou dor de cabeça recente porque a própria NVIDIA abandonou o CUDA de 32 bits nas RTX 50.
A empresa comprou a Ageia em 2008 justamente pela tecnologia de simulação de física e passou anos promovendo o recurso, que ficou popular na era dos jogos em 32 bits.
Com o corte, títulos antigos que apoiavam pesado no PhysX passaram a empurrar o cálculo para o processador, afogando o desempenho. Diante da reação da comunidade, a NVIDIA religou o recurso apenas para uma lista de jogos populares nas RTX 50, sem uma solução geral. É essa lacuna que o ZLUDA tenta cobrir, agora no hardware da rival.
De projeto pago a hobby de fim de semana
A virada do ZLUDA para o PhysX tem relação direta com a verba, pois o projeto começou como suporte a CUDA para GPUs Intel, foi financiado em silêncio pela AMD por anos, virou open source ao perder o apoio e, no fim de 2024, mirou CUDA multi-GPU para IA com dinheiro de uma parte não revelada. Esse patrocínio caiu de novo.
“O desenvolvimento do ZLUDA não é mais financiado comercialmente, então voltou a ser meu projeto de fim de semana. A prioridade não é mais o que faz sentido comercial, mas o que eu acho mais divertido.”
Andrzej Janik
A fala é de Andrzej Janik, criador e desenvolvedor principal do projeto. Sem a obrigação de focar em IA, ele direcionou o tempo livre para o PhysX e para o suporte ao Windows, que sempre andou atrás do Linux na biblioteca.
Onde a solução ainda se dá mal
O recurso é descrito como pré-alpha, e isso aparece no uso. As simulações de fluido podem apresentar glitches, e o método atual de carregar o ZLUDA em jogos da Steam é ruim. Janik diz ter testado apenas no próprio PC, que tem uma configuração de GPU incomum.
Não é um clique e pronto… Para usar agora, é preciso editar o código-fonte e compilar o ZLUDA na mão. Para o resto dos usuários, a recomendação do próprio criador é acompanhar o PR e esperar a integração aos builds de pré-visualização.
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Texturas, Blender e Windows no mesmo pacote
A versão 6 também adicionou suporte a texturas, o que destravou o Blender na biblioteca, além de tornar o uso no Windows bem mais amigável, com avisos sobre bibliotecas faltando e carregamento automático de componentes.
Sem patrocínio, porém, o ritmo deve cair. Janik avisa que novas versões sairão com menos frequência do que a cada trimestre, mesmo com o projeto seguindo ativo. A v6 já está disponível para download no GitHub.
Por fim, um contraste curiosíssimo: a NVIDIA tornou o PhysX e o Flow open source em 2025 e, depois de remover o CUDA de 32 bits das RTX 50, religou o recurso só para alguns jogos.
O ZLUDA pegou o resto da biblioteca antiga e colocou para rodar onde a NVIDIA nunca quis.
Fontes: ZLUDA, Phoronix e WCCFTech
