Por que o sistema da Defesa Civil foi invadido tão facilmente
Um alerta falso disparado pelo sistema da Defesa Civil Nacional na madrugada do último sábado (20) acordou milhões de brasileiros com mensagens que incluíam termos como "misantrop…

Um alerta falso disparado pelo sistema da Defesa Civil Nacional na madrugada do último sábado (20) acordou milhões de brasileiros com mensagens que incluíam termos como "misantropia", palavra que significa ódio à humanidade. O episódio levou à retirada temporária da plataforma do ar e ao acionamento da Polícia Federal, e expôs falhas básicas de segurança em um sistema reservado a situações de emergência real.
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Para Mirella Kurata, CEO da DMK3 e especialista em cibersegurança com mais de 25 anos de experiência em projetos para os setores público e privado, o caso não resultou de uma operação tecnicamente elaborada. "É uma sucessão de falhas", afirmou ela no Podcast Canaltech desta sexta-feira (26). Entre as brechas apontadas pela especialista estão o uso de credenciais fracas e a ausência de autenticação em dois fatores, mecanismo que exige uma segunda confirmação além da senha para acessar um sistema.
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Ao todo, foram disparados 10 alertas entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada de sábado, sendo nove via Cell Broadcast, tecnologia capaz de atingir celulares mesmo no modo silencioso, por meio das antenas das operadoras — e um por SMS, de acordo com o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff. Segundo o governo federal, o comportamento dos disparos não seguiu o padrão operacional do sistema.
Por que o Brasil é alvo frequente
No primeiro semestre de 2025, o Brasil registrou mais de 314 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos, concentrando 84% de todas as ocorrências da América Latina, segundo dados da Fortinet e da empresa de inteligência DeepStrike. No ranking global de detecções de malware, o País ficou em segundo lugar no período, à frente dos Estados Unidos, conforme levantamento da Acronis.
Kurata atribui parte da vulnerabilidade ao comportamento digital da população. "A falta de maturidade das pessoas que não se preocupam tanto com a segurança" é um dos fatores, avaliou. Ela também citou o uso de redes Wi-Fi públicas sem proteção e a ausência de antivírus em dispositivos móveis como pontos que ampliam a exposição.
A inteligência artificial aparece no cenário como ferramenta de ataque e de defesa. O risco, segundo a especialista, está no uso de versões gratuitas de IA para fins corporativos. "A partir do momento que você [coloca código ou informação confidencial em uma IA pública], você está disponibilizando para a internet uma informação que é confidencial", alertou.
Kurata defendeu ainda que a cibersegurança deixe de ser vista como despesa operacional. "Ela não é um custo para a empresa, ela é uma parte estratégica", disse. No caso de órgãos públicos, a LGPD impõe obrigações específicas sobre o tratamento de dados pessoais — camada regulatória que, segundo a especialista, exige atenção redobrada.
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