PRÉVIA | Halo: Campaign Evolved nos deixou com mais dúvidas do que certezas
Embora Halo não represente mais o grande blackbuster dos tempos do primeiro Xbox e do 360, a série permanece uma das mais relevantes do catálogo da Microsoft. E, com Campaign Evol…

Embora Halo não represente mais o grande blackbuster dos tempos do primeiro Xbox e do 360, a série permanece uma das mais relevantes do catálogo da Microsoft. E, com Campaign Evolved, a empresa pretende dar um ar renovado a ela ao apostar em um remake completo na Unreal Engine 5.
A convite da empresa, o Adrenaline teve a chance de aproveitar uma demonstração do jogo com as fases “O Cartógrafo Silencioso” e “Assalto à Sala de Controle”. E, com isso, foi possível entender melhor o resultado do trabalho feito pelo Halo Studios — que, infelizmente, gera algumas preocupações.
O que funciona em Halo: Campaign Evolved?
O que fica evidente logo de cara em Halo: Campaign Evolved é sua qualidade gráfica. Embora o jogo original já tenha recebido uma versão atualizada em Master Chief Collection, sua nova interpretação na Unreal Engine 5 traz modelos de personagens e ambientes muito mais detalhados e atraentes.
O jogo também se beneficia de um sistema de iluminação moderno e, surpreendentemente, está bem otimizado no PC. Usando a configuração Alta de qualidade em 1440p em uma RTX 3080, o jogo manteve com facilidade taxas de quadros acima dos 60 FPS, mesmo quando a ação estava intensa — e sem demandar sequer perto de 100% do hardware.

Outra melhoria envolve a interface do game, que deixa mais fácil saber questões como a quantidade de balas disponíveis em um pente ou quando há armas no chão que podem ser coletadas. Esse é um ponto que a Master Chief Collection deixava a desejar, e é positivo ver que ajustes foram feitos nesse sentido.
Embora não mude a narrativa original, o remake torna um pouco mais fácil compreender algumas de suas cenas. Ele faz isso apelando para cenas de corte de alta qualidade, nas quais vemos o protagonista sob um ponto de vista mais heroico e interessante — mesmo que ao custo da eliminação de alguns trechos interativos do passado.
E o que não funciona?
Embora Halo: Campaign Evolved seja um jogo visualmente impressionante, ele sofre um pouco da síndrome “fã refez certo game clássico na Unreal Engine, veja como ficou”. Explico: além de mudar os modelos 3D do game original, o projeto adotou um estilo artístico completamente diferente dele.

No lugar de ambientes bem iluminados e com cores como amarelo e roxo, agora temos corredores sombrios com aço escovado e muita iluminação por Ray Tracing. Isso colabora para deixar os ambientes um pouco mais genéricos e dificulta desnecessariamente a leitura de desafios e a navegação por cenários — cujas paredes e corredores agora parecem ser todos iguais.
No entanto, o ponto em que o remake mais peca é em seu gameplay. Enquanto as bases criadas pela Bungie no passado permanecem, os inimigos ganharam mais resistência e se transformaram em verdadeiras esponjas de bala. E, com isso, o ótimo equilíbrio construído pelo estúdio original se desfez.
Essa decisão faz com que avançar pela campanha de Halo: Campaign Evolved se torne um processo mais lento e, sinceramente, mais chato. Enquanto o jogo original traz seus desafios e incentiva a troca constante de armas, a sensação que os testes deixaram é de uma experiência na qual só temos equipamentos pouco eficientes e é preciso ter muita paciência para continuar jogando.

Nossa teoria é que a versão disponível foi configurada pensando em equipes de quatro jogadores e não na jogatina solo. Sendo esse ou não o caso, o Halo Studios precisa ficar bastante atento a esse elemento, especialmente levando em consideração o fato de que está mexendo em uma série cujo gameplay é muito valorizado por seus fãs.
Para completar, a opção pela Unreal Engine 5 trouxe os famosos stutters em algumas transições de ambientes — o que não existia no original. E também dá para considerar que o jogo precisa de um melhor sistema de checkpoints: depois de cair um local sem saída em “Assalto à Sala de Controle” e não morrer, foi preciso reiniciar a fase porque o último save automático havia sido feito dentro do abismo.
Halo: Campaign Evolved ainda precisa se provar
Após nosso tempo com Halo: Campaign Evolved, terminamos menos entusiasmados do que gostaríamos com o jogo. Enquanto o remake certamente é lindo, ele se mostra uma experiência menos satisfatória que o original — e uma sessão de jogatina posterior na Master Chief Collection só comprovou as impressões de que os ajustes de gameplay foram para o pior.

Para que o título funcione, o Halo Studios precisa fazer ajustes em seu equilíbrio, para não correr o risco de manchar o bom trabalho que a Bungie fez no passado. O estúdio também precisa provar que suas novas missões têm qualidade e que não mudou decisões artísticas originais somente porque precisava ser diferente.
