PRÉVIA | Star Wars Zero Company não esconde o desejo de ser XCOM 3
Quando a Firaxis lançou XCOM 2: War of the Chosen em 2017, ela parecia ter encontrado de vez a fórmula necessária para garantir a grande longevidade da série. No entanto, quase 10…

Quando a Firaxis lançou XCOM 2: War of the Chosen em 2017, ela parecia ter encontrado de vez a fórmula necessária para garantir a grande longevidade da série. No entanto, quase 10 anos depois, a franquia está dormente e cabe a Star Wars Zero Company a missão de retomar sua linhagem.
A convite da Electronic Arts, o Adrenaline teve acesso a uma longa prévia do jogo com quase 15 horas de duração. Durante esse tempo, tivemos acesso ao início da campanha, com direito a vários desafios, personagens interessantes e a algumas participações especiais.
Esse longo teste, bem como uma apresentação preparada pela empresa, deixa evidente que o estúdio BitReactor realmente quer dar continuidade ao trabalho que seus membros fizeram quando eram parte da Firaxis. Star Wars Zero Company parece muito com um “XCOM 3”, que traz muitas semelhanças e refinamentos em relação à famosa saga estratégica.
Star Wars Zero Company traz mais narrativa ao estilo tático
Caso você não esteja familiarizado com a versão mais recente de XCOM, segue um breve resumo. Os jogos criados pela Firaxis são experiências táticas nas quais comandamos esquadrões formados por soldados de classes diferentes que, conforme sobrevivem a encontros difíceis, desenvolvem novas habilidades e ganham acesso a mais recursos.

Star Wars Zero Company mantém essa premissa, mas traz algumas diferenças importantes. A principal delas é o foco na narrativa. Enquanto é possível recrutar soldados aleatórios para nosso grupo, a maior parte dele é formada por figuras com personalidades e desejos bem desenvolvidos, que vão se juntando aos poucos à equipe.
A história é contada sob a perspectiva de Hawks, um ex-membro da República que decidiu criar o grupo de mercenários depois de uma batalha traumática. A cada missão, somos levados de volta à base do grupo, na qual podemos conversar com companheiros para aprender mais sobre eles e destravar algumas missões secundárias opcionais.

Nesse sentido, o jogo lembra muito a estrutura de Mass Effect, que tinha dinâmicas bastante parecidas. Star Wars Zero Company traz até mesmo alguns trechos de exploração em terceira pessoa, mas que são essencialmente lineares e narrativos — quando as batalhas começam, elas sempre são táticas.
Venha pela história, fique pelo combate
O ponto que mais aproxima o jogo da BitReactor de XCOM é seu combate, tanto para o bem quanto para o mal. As batalhas acontecem em turnos alternados entre seus grupos e os inimigos, com cada personagem tendo acesso a três pontos de ações — que podem ser gastos em movimentos, tiros ou outras opções.

Star Wars Zero Company também tem um sistema de vantagens, que dependem de pontos que obtemos realizando ações comuns. Eles são usados para destravar alguns poderes especiais de personagens, que costumam ser os mais impactantes e necessários para mudar o rumo de uma batalha.
Um bom exemplo de habilidade do tipo está associado a Trick, um soldado clone que pode ativar um lançador de mísseis uma única vez por fase. Enquanto o recurso é limitado, ele é ótimo para atingir vários inimigos de uma só vez e quebrar proteções que bloqueiam os disparos de seus companheiros.
Cada classe e personagem do elenco do jogo possui um recurso do tipo, que muitas vezes é único. A padawan Tel-Rea Vokoss se destaca muito nesse sentido por ser a única usuária da força, o que muda completamente seu gameplay. Ela é forçada a ir “contra a lógica” do restante do jogo e agir de maneira agressiva para se aproximar de seus adversários e jogá-los de um canto do mapa ao outro.

E isso pode ser muito arriscado porque, assim como em XCOM, Star Wars Zero Company trabalha com um sistema no qual podemos perder definitivamente nossos companheiros. No entanto, o jogo é bem menos punitivo do que os trabalhos feitos pela Firaxis.
Antes que um companheiro morra, por exemplo, ele pode ser levantado duas vezes durante a batalha, recuperando boa parte da energia no processo. E essas “vidas” podem ser recarregadas facilmente na baia médica da base principal. Em resumo, é preciso ser bastante azarado ou desatento para perder algum aliado importante por acidente.
O jogo também é consideravelmente mais fácil em suas lutas do que XCOM, embora traga alguns saltos de dificuldade pontuais. E, embora ele ainda tenha aqueles momentos nos quais 90% de acerto parecem mais ser 3%, seus elementos aleatórios são menos propensos a deixar você incrédulo.
Star Wars Zero Company não é um jogo para fazer tudo
Entendo que pode ser cansativo ver tantas comparações com XCOM, mas até no sistema de missões e na progressão Star Wars Zero Company traz fortes semelhanças com War of the Chosen. No hub central do game, podemos participar de dois tipos de missão: um mais passivo, que demanda pontos de inteligência, e outro ativo, no qual o grupo entra em ação.

O elemento em comum entre eles é o fato de que todos têm um contador indicando por quanto tempo vão estar disponíveis. Enquanto no começo é fácil priorizar as opções que somem mais rapidamente, não demora até que seja preciso fazer escolhas difíceis e aceitar que não há como fazer 100% do jogo em uma única campanha.
Esse sistema de ciclos também define a progressão da base central do jogo, que pode ser expandida para ter mais espaço para soldados, baias médicas ou sistemas de comunicação aprimorados. Enquanto tecnicamente é possível destravar todas as opções, sempre somos limitados por recursos escassos que levam a escolhas interessantes.

É melhor destravar um upgrade para uma arma ou ter acesso a mais itens do mercado negro? Não há uma resposta definitiva para isso, e cabe a você decidir o caminho que se adapta melhor a seus objetivos.
Questões técnicas são o maior obstáculo de uma experiência promissora
Com um elenco diversificado e uma trama principal interessante que envolve o combate a um culto, Star Wars Zero Company é bastante promissor. No entanto, para que ele seja capaz de conquistar o público, a BitReactor vai ter que conseguir lidar com os problemas técnicos que reconhece existir.

A principal questão da versão prévia do título é o fato de que ela simplesmente não está otimizada. Assim, enquanto os 60 FPS não são impossíveis, em algumas áreas a taxa de quadros cai para 40 FPS ou 30 FPS sem motivo aparente — mesmo quando há recursos de GPU e CPU disponíveis.
O título também não se ajuda por repetir alguns dos problemas de câmera que marcaram XCOM. Ao entrar em um mapa ou atirar em um inimigo, não é raro ter sua visão obstruída por uma parede ou alguma textura aleatória, ficando sem saber o que está acontecendo.
Caso o estúdio consiga solucionar essas questões, Star Wars Zero Company pode realmente virar o “XCOM 3” com que muitos fãs sempre sonharam. O potencial para isso é evidente, e mal podemos esperar para ter acesso à versão completa dessa nova aventura espacial.
Jogamos a prévia de Star Wars Zero Company no PC com um código fornecido pela Electronic Arts.
