Review de Denshattack! | Trens alucinados em ação
O jogo independente Denshattack! chamou a atenção de muita gente desde o seu anúncio. Pilotar trens como skates, em pistas cheias de obstáculos e com m…
%3Aquality(85)%2F2ed529a5-7838-406c-b520-978f26ebeaa3.jpg&w=3840&q=75)
O jogo independente Denshattack! chamou a atenção de muita gente desde o seu anúncio. Pilotar trens como skates, em pistas cheias de obstáculos e com muito estilo é uma identidade forte demais para se ignorar, diga-se de passagem.
Com o lançamento em mãos, é possível reforçar que ele é exatamente o que promete: um game no qual precisará dirigir sem cautela alguma, ao realizar diversas manobras enquanto coleta pontos que colocarão a sua piloto em evidência.
Em um futuro distópico, a sociedade se move entre as grandes metrópoles e se esqueceu das cidades que ficam marginalizadas ao seu redor. Porém, jovens usam as antigas linhas de trem e metrô para curtir e quebrar o status quo nos quais foram inseridos.
No meio disso, você está neste novo mundo de Denshattack! como um novato — pronto para descobrir as maravilhas de guiar o seu trem em cenários alucinantes, cheios de curvas, obstáculos e inimigos.
Prós
-
Ação de tirar o fôlego
-
Referências a animes são um forte apelo cultural
-
Alto fator de replay
-
Tem muito estilo e personalidade
Contras
-
Exige muita habilidade no controle
-
Algumas pistas podem frustrar, principalmente no começo
Entre no vagão de Denshattack!
A proposta de Denshattack! é bem simples: você controlará um trem em alta velocidade, com o dever de fazer manobras (como um skate mesmo), saltar entre obstáculos e conseguir coletar o máximo de pontos e itens possíveis em seu caminho.
De cara, é possível até perceber inspiração em títulos mobile. Porém, não se engane: a ação do game da Undercoders é repleta de nuances. Haverá momentos em que seu trem vai parar em cima de uma roda gigante em movimento, atravessará prédios e até enfrentará robôs gigantes.
Há todo um cuidado para a aventura não ser “mais do mesmo”, o que me deixou preso ao sofá por horas. Mesmo nas pistas mais “calmas” há chance de fazer arte como buzinar para acordar morcegos, realizar manobras que desbloqueiam áreas únicas e até destruir parte do cenário.
Porém, o melhor mesmo é encarar os grandes chefões. Seja em uma corrida direta contra um oponente, a chegada de grandes robôs ou outras ameaças, você tem apenas que dirigir o trem que tenta chegar ao seu destino — o que é incrível por si só.
“Você pode ver trailers, trechos ou até assistir seu streamer favorito jogar Denshattack!, mas nada vai te preparar para o momento que tiver com o trem sob seu controle” - Diego Corumba
A experiência on rails (aqui, literalmente) tira o fôlego, tanto pelos momentos intensos quanto pelo conjunto da obra: gráficos, trilha sonora, elementos de tela, o ritmo e muito mais que estão claros nas prévias, mas que se tornam ainda mais vivos quando se está com o controle nas mãos.
A alma do seu trem
Para ajudar na sua missão, Denshattack! traz várias opções para os jogadores. Você pode personalizar seu trem, coletar fotos e imagens que compõem aquele mundo e conferir diversos detalhes ao seu redor.
Há muito a se fazer nos trilhos, mas também existe toda uma realidade que é construída ao redor da protagonista Emi. A distopia na qual os personagens vivem, os aliados interessantes, os rivais, tudo é muito bem estabelecido e encanta.
Com muita personalidade e estilo, o título cria conexões honestas e que não parecem ter sido criadas apenas para preencher os trechos jogáveis. Todo o conjunto se complementa, ao contrário do que vemos em muitos lançamentos AAA.
Sabe aquela cutscene que surge no meio de duas partidas em um jogo de luta ou o vídeo que te interrompe entre missões? É incrível como não tem essa sensação nesta experiência, em alguns casos dá até ansiedade para ver o que virá a seguir.
:quality(85)/597bc53b-e206-4bcc-a99c-066a0e5eddd9.jpg)
Neste aspecto, é notável o quanto eles se inspiraram em obras japonesas. Desde o conceito de alguns personagens à forma como o mundo de Denshattack! se expande, a raiz nos animes fica clara e traz um forte apelo cultural — principalmente para quem ama o gênero.
Dito isso, em determinados trechos você vai querer voar para os trilhos. Em outros, vai ficar na ansiedade para ver o que aquela performance vai trazer para o próximo capítulo na história. Isso, caros leitores, é um grandioso acerto da Undercoders.
A pamonha é doce, mas não é mole não
Ainda que o título encante e chame muito a atenção, vale o lembrete de que os jogadores precisam de uma habilidade acima do comum com o controle para desfrutar de tudo o que ele pode oferecer.
:quality(85)/4b0b4765-24d8-4910-8c99-69b3a580d9c3.jpg)
Não é como se fosse um soulslike, mas Denshattack! vai exigir duas maestrias em alta demanda: reflexos e coordenação (quase como um game rítmico). Isso pode se apresentar como uma grande dificuldade para novatos e para quem não tem tanta habilidade.
Claro que dá para vencer as fases e desafios com o “básico”, assim como é possível ajustar o nível para não perder tanto assim. Porém, se algumas cenas dos trailers te encantaram e você tenta replicá-las, perceberá que algumas vão exigir demais.
O começo, principalmente, frustra. Você vê itens que deixou para trás, desafios não concluídos no fim da fase e muito mais — mesmo nos trechos que servem de “tutorial”. A ação pede paciência, para melhorar suas habilidades e ritmo, para aí sim começar a aproveitar o que ele tem a oferecer.
“Ver obstáculos, pular trilhos, realizar manobras no meio disso, preparar a próxima ação e criar oportunidades é, muitas vezes, questão de 1 ou 2 segundos que sei que impedirá jogadores de se divertirem por completo” - Diego Corumba
A parte boa é que Denshattack! possui um alto fator replay. Os desenvolvedores sabem que ninguém conseguirá fazer todas as manobras ou atingir determinado número de pontos logo de cara, então pode repetir várias delas quantas vezes quiser para correr atrás de algo que perdeu.
Uma ideia nova
Ainda que o conceito da dificuldade assuste, vale muito a pena investir o seu tempo no jogo. Ele não é curto, o que permite explorar ainda mais seus cenários, história, reunir os colecionáveis e se aprofundar muito mais neste mundo.
:quality(85)/725bd09e-23a7-4c6f-885c-d1be23c2f6b1.jpg)
O que encanta é que Denshattack! é uma criação “inédita”, que bebe da fonte de várias experiências famosas — seja Tony Hawk’s Pro Skater, seja de títulos mobile, animes e outros —, mas que traz algo nunca antes visto.
Em uma indústria na qual reclamamos do excesso de remakes, reboots, cópias e do “mais do mesmo” o tempo todo, ele surge como uma oportunidade de se abrir a porta para novas ideias e elementos. Ainda por cima, ele traz tudo isso com muito estilo e personalidade, algo difícil hoje em dia.
Não dá para comparar com nenhum game quando se vê o trem pular, correr pela parede, saltar em robôs gigantes e subir aos céus enquanto o sol brilha forte na sua tela. E esta é a grande façanha de Denshattack!: o “novo” bem-feito, que não busca o espaço alheio, mas sim um lugar diferente na sua biblioteca.
Além disso, o teste realizado no PS5 base mostrou que mesmo quase um mês antes de sua chegada oficial ele já rodava “liso” — sem quedas de quadros ou travamentos. Com as atualizações, ele pode se tornar ainda mais impressionante, principalmente em PCs modernos ou no PlayStation 5 Pro.
“Vale notar que ele foi criado pelo mesmo diretor do incrível Ninja Gaiden Ragebound, assim como a sua trilha sonora é assinada por Tee Lopes — de Sonic Mania e Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge” - Diego Corumba
Dito isso, pode dar uma chance para Denshattack! te surpreender que isso trará poucos arrependimentos. No máximo, se você não for hábil com o controle ou já souber que não se sai bem em jogos rítmicos, mas no geral dá para se curtir demais ainda assim.
Não foi à toa que o recomendamos no início do ano, com os 9 jogos indie promissores que serão lançados em 2026. Este você encontrará no PS5, XBOX Series (inclusive, ele será Day One no Game Pass), Nintendo Switch 2 e computadores a partir de 15 de julho.
{{WHATSAPP_CHANNEL}}
