Universal vai adaptar 10 clássicos da Atari para os cinemas, incluindo Pong e Asteroids
Dez clássicos da Atari ganharam caminho aberto para o cinema. A Universal Pictures fechou acordo com a fabricante e com a produtora Entertainment 360 para desenvolver adaptações d…

Dez clássicos da Atari ganharam caminho aberto para o cinema. A Universal Pictures fechou acordo com a fabricante e com a produtora Entertainment 360 para desenvolver adaptações de títulos que incluem Pong, Asteroids, Centipede e Missile Command.
O estúdio já comprou o primeiro projeto da parceria: trata-se de um roteiro original escrito por Matt Reilly e Carl Hampe, com produção de Guymon Casady, da Entertainment 360.
Nem a Universal nem a Atari revelaram qual dos dez jogos inspirou o texto. Também não houve confirmação de um universo compartilhado reunindo as marcas em uma mesma linha narrativa.
Os 10 jogos incluídos no acordo
O pacote reúne títulos lançados entre 1972 e 1983, com predomínio das máquinas de fliperama.
| Jogo | Ano | Formato original |
|---|---|---|
| Pong | 1972 | Arcade |
| Breakout | 1976 | Arcade |
| Asteroids | 1979 | Arcade |
| Adventure | 1980 | Atari 2600 |
| Berzerk | 1980 | Arcade |
| Missile Command | 1980 | Arcade |
| Centipede | 1981 | Arcade |
| Millipede | 1982 | Arcade |
| Yars’ Revenge | 1982 | Atari 2600 |
| Crystal Castles | 1983 | Arcade |
A lista expõe o tamanho do desafio, visto que nenhum desses jogos tem enredo, diálogo ou personagem com arco narrativo. Pong resume-se a duas barras e uma bola quicando entre elas, e Breakout entrega ao jogador uma parede de tijolos para derrubar.

Roteiro original veio antes da escolha do jogo
A ordem dos fatores explica a estratégia, o acordo nasceu de um roteiro especulativo que Reilly e Hampe escreveram por conta própria, e não de uma encomenda do estúdio para adaptar um título específico.
Reilly passou anos como executivo da própria Universal antes de migrar para a escrita e a produção. Hampe assina como produtor de Hellboy, de 2019, e trabalhou em Jungle Cruise. Os dois também entram como produtores do projeto.
O objetivo declarado é criar aventuras de ação em larga escala, e não transposições literais da mecânica dos jogos.
“Matt Reilly e eu crescemos jogando os títulos do Atari 2600 e continuamos fãs desde então. Os melhores jogos da Atari colocavam você dentro de um mundo e deixavam o resto por conta da imaginação. Carl e Matt viram a oportunidade de pegar esse mesmo espírito e construir uma aventura original e de grande escala em torno dele.”
Guymon Casady, produtor da Entertainment 360, à Deadline
Wade Rosen, presidente e CEO da Atari, resumiu a posição da empresa afirmando que as criações da companhia permaneceram na cultura popular por mais de cinco décadas depois do lançamento original, e que a parceria leva esse repertório a um meio diferente.
Atari chega ao acordo em fase de reconstrução
A licença sai em um período bem diferente do vivido pela marca há uma década. Desde que Rosen assumiu o comando, em 2021, a empresa abandonou as tentativas dispersas em criptomoedas, hotéis e consoles próprios para concentrar esforços no mercado retrô.
A companhia comprou a Nightdive Studios e a Digital Eclipse, dois estúdios especializados em restauração de jogos antigos, além da marca Intellivision, com mais de 200 títulos, e da maior parte da editora Thunderful. O catálogo de jogos cresceu ainda com aquisições dos acervos de Accolade, MicroProse, GT Interactive e Infogrames, e com cinco títulos comprados da Ubisoft.
Os números preliminares do ano fiscal encerrado em 31 de março de 2026 ficaram entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões, alta de pelo menos 40% sobre o exercício anterior, conforme dados apresentados por Rosen em entrevista ao GamesBeat. A Atari é listada na Euronext Growth Paris.
Hollywood aposta alto depois de Mario e Minecraft
O apetite dos estúdios por adaptações de games tem justificativa financeira recente.
Quatro produções concentram o argumento de venda usado por qualquer executivo que precise aprovar um projeto do gênero.
| Filme | Ano | Bilheteria global |
|---|---|---|
| Super Mario Bros.: O Filme | 2023 | US$ 1,36 bilhão |
| Super Mario Galaxy: O Filme | 2026 | mais de US$ 1 bilhão |
| Um Filme Minecraft | 2025 | cerca de US$ 960 milhões |
| Sonic 3: O Filme | 2024 | cerca de US$ 490 milhões |
A fila de projetos anunciados inclui Call of Duty na Paramount, Elden Ring com direção de Alex Garland, Streets of Rage na Lionsgate e a adaptação de BioShock na Netflix.

A diferença é que todos esses jogos trazem personagens, cenário e história prontos. O material da Atari oferece apenas o nome e a memória afetiva de quem frequentou fliperama.
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Universal já tinha comprado Asteroids em 2009
O estúdio venceu uma disputa com outras três companhias pelos direitos de Asteroids em julho daquele ano, conforme registrou o The Hollywood Reporter. Matt Lopez assinou o roteiro inicial, com produção de Lorenzo di Bonaventura, responsável pela franquia Transformers.
O projeto passou por pelo menos quatro roteiristas. Depois de Lopez vieram Evan Spiliotopoulos e Jez Butterworth, e em fevereiro de 2015 F. Scott Frazier foi contratado para uma nova reescrita. Nenhuma versão chegou às filmagens.
Dezessete anos depois, o mesmo estúdio volta ao mesmo jogo, agora com nove companhias na bagagem e um roteiro que já passou pela mesa de compras.
A diferença mais concreta entre as duas tentativas está no que aconteceu no meio do caminho: em 2009, o recorde de bilheteria para um filme baseado em games pertencia a Pokémon: O Filme.
