NVMe Gen 3, Gen 4 e Gen 5: a diferença que você percebe no dia a dia
NVMe Gen 3, Gen 4 ou Gen 5? Veja o que cada geração muda, quando o SSD mais novo faz diferença e quando a placa-mãe ou o calor limitam o ganho.
Equipe Balão da Informática10 min de leitura

Você vai comprar um SSD e esbarrou em NVMe Gen 3, Gen 4 e Gen 5, com números de velocidade que dobram de uma geração para outra. A dúvida é natural: vale pagar pelo mais novo ou um Gen 3 ou Gen 4 resolve? A resposta depende menos do SSD e mais do que o seu computador aceita e do que você faz com ele.
O engano comum é achar que a geração mais nova deixa o computador proporcionalmente mais rápido. Não deixa. Ligar o sistema, abrir programas e carregar jogos já fica muito mais ágil na troca de um HD ou SSD SATA para qualquer NVMe. Entre as gerações de NVMe, a diferença aparece sobretudo em quem copia arquivos muito grandes com frequência.
O que o Gen 3, o Gen 4 e o Gen 5 querem dizer
NVMe é o protocolo que o SSD usa para conversar com o computador, e ele trafega pelo PCI Express, o mesmo barramento da placa de vídeo. O "Gen" é a geração desse barramento. Segundo a Intel, o PCIe 3.0 trabalha a 8 GT/s por linha, o 4.0 a 16 GT/s e o 5.0 a 32 GT/s: cada geração dobra a anterior.
GT/s é a taxa de transferência bruta de cada linha, a pista por onde os dados passam. Um SSD M.2 NVMe usa quatro linhas, o que a ficha técnica escreve como x4. Com quatro linhas, o teto teórico fica perto de 4 GB/s no Gen 3, 8 GB/s no Gen 4 e 16 GB/s no Gen 5. É o limite da estrada, não a velocidade que o SSD de fato alcança.
| Geração | Taxa por linha | Teto teórico com x4 | Para quem costuma fazer sentido |
|---|---|---|---|
| PCIe 3.0 (Gen 3) | 8 GT/s | Cerca de 4 GB/s | Computador mais antigo, uso de escritório e estudo |
| PCIe 4.0 (Gen 4) | 16 GT/s | Cerca de 8 GB/s | A maioria das máquinas atuais, jogos e trabalho em geral |
| PCIe 5.0 (Gen 5) | 32 GT/s | Cerca de 16 GB/s | Quem copia e edita arquivos muito grandes, em placa com slot Gen 5 |
Fonte: Intel — What Are PCIe 4.0 and 5.0?. Os tetos com x4 são aproximados e consideram a largura de banda por linha indicada pela FS. A velocidade real de cada SSD depende do controlador e da memória dele.
Mas a tabela fala da estrada, não do carro. Um SSD Gen 4 de entrada pode ficar longe do teto da própria geração, e um bom Gen 4 pode superar um Gen 3 simples em tudo. A geração diz quanto cabe no caminho; a ficha do SSD diz quanto ele realmente usa.
Como saber qual geração o seu computador aceita
O que manda é o slot M.2 da placa-mãe, dentro do que o processador suporta. A Intel lembra que todas as gerações do PCI Express são compatíveis para trás e para frente: um SSD Gen 4 funciona num slot Gen 3, e um Gen 3 funciona num slot Gen 4 ou Gen 5. Em todos os casos, vale a velocidade da parte mais lenta.
Na prática, isso quer dizer que um SSD Gen 5 instalado num slot Gen 4 trabalha como Gen 4, como explica a FS em seu comparativo. Ele funciona, só não entrega o que foi pago a mais; a Kingston, ao lançar seu SSD Gen 5 em 2025, informou a compatibilidade com sistemas Gen 3 e Gen 4. Antes de comprar, procure no manual ou no site do fabricante da placa a descrição de cada slot M.2: muitas placas têm um slot de geração mais nova ligado ao processador e outros mais lentos, ligados ao chipset.
- Descubra o modelo exato da placa-mãe (no Windows, o aplicativo Informações do Sistema mostra o fabricante e o modelo da placa).
- Abra a página de especificações da placa no site do fabricante e procure a seção de armazenamento ou M.2.
- Veja a geração de cada slot (PCIe 3.0, 4.0 ou 5.0 x4) e se algum deles desativa portas SATA quando usado.
- Em notebook, consulte o manual de serviço do modelo: além da geração, o tamanho do slot (2280, 2242, 2230) precisa bater com o do SSD.
Se a placa só tem slot Gen 3, um SSD Gen 4 ainda pode ser uma boa compra, porque costuma ser o que há de mais comum nas prateleiras e acompanha uma troca de plataforma no futuro. Mas não espere dele, nesse computador, mais do que um Gen 3 entrega.
Quando a geração mais nova faz diferença no seu uso
Para ligar o Windows, abrir o navegador, usar planilhas e carregar jogos, a própria Intel reconhece que a vantagem prática do Gen 4 sobre o Gen 3 ainda é pequena. Essas tarefas leem muitos arquivos pequenos, e aí pesa mais o tempo de resposta do SSD do que a largura da estrada. O salto que se sente é o de sair do HD ou do SSD SATA.
A geração começa a pesar quando o trabalho envolve leitura e gravação contínua de arquivos grandes: editar vídeo em alta resolução direto do SSD, mover projetos de dezenas de gigabytes, lidar com máquinas virtuais ou carregar modelos de IA grandes do disco para a memória. Nesses casos, um Gen 4 rápido ou um Gen 5 encurtam a espera. Mas só se o resto do computador acompanhar.
Há ainda o DirectStorage, uma tecnologia do Windows que permite aos jogos aproveitarem melhor os SSDs NVMe modernos. A Intel aponta que isso pode aumentar a importância do SSD nos jogos com o tempo, mas o efeito depende de cada jogo adotar o recurso. Não vale comprar um Gen 5 pensando só nisso hoje.
Prós
- Maior teto de transferência entre as três gerações.
- Funciona também em slots Gen 4 e Gen 3, então acompanha uma troca futura de placa.
- Faz diferença real para quem copia e edita arquivos muito grandes todos os dias.
Contras
- Só entrega a velocidade toda em placa com slot M.2 Gen 5.
- Esquenta mais e precisa de dissipador; em gabinete abafado, pode reduzir a velocidade para se proteger.
- No uso comum, a diferença para um bom Gen 4 é difícil de perceber.
- Em notebook, o espaço e a ventilação costumam limitar o uso de um modelo assim.
Calor e dissipador: o detalhe que limita o Gen 5
Quanto mais rápido o controlador do SSD trabalha, mais calor ele gera. Quando passa do limite, o SSD reduz a própria velocidade para não se danificar, o que se chama de thermal throttling, a redução por temperatura. Em análises de SSDs Gen 5 noticiadas pelo Neowin, modelos com o mesmo controlador chegaram a reduzir muito a velocidade e até a desligar por superaquecimento.
Segundo a mesma reportagem, a Phison, fabricante do controlador, orientou que os SSDs vendidos sem dissipador são para quem já tem refrigeração própria, e que a maioria das placas com Gen 5 traz um dissipador para o slot. Por isso, ao escolher um Gen 5, confira se a placa tem a tampa metálica sobre o M.2 ou compre a versão do SSD com dissipador.
Gen 4 também esquenta, mas bem menos, e muitos funcionam bem com o dissipador da placa ou até sem ele em gabinete ventilado. Em notebook, onde não cabe dissipador grande, um Gen 4 de bom fabricante costuma ser a escolha mais sensata. Mas confira o espaço do slot antes, porque alguns modelos são finos demais até para isso.
Qual geração escolher para o seu caso
| Situação | Escolha que costuma fazer sentido | Por quê |
|---|---|---|
| Placa só com slot Gen 3 | Gen 3 ou Gen 4 | O slot limita; o Gen 4 só compensa se você pensa em trocar a placa |
| Placa com slot Gen 4, uso geral e jogos | Gen 4 | Aproveita o slot sem pagar por velocidade que não aparece no uso |
| Placa com slot Gen 5, edição de vídeo e arquivos enormes | Gen 5 com dissipador | É onde o teto maior encurta a espera |
| Notebook | Gen 4 de bom fabricante | Menos calor e espaço limitado para dissipador |
Em todos os casos, confira o tamanho do slot (2280, 2242 ou 2230) e a geração no manual da placa ou do notebook.
Se você está trocando um HD por SSD, o ganho de qualquer NVMe será tão grande que a geração vira detalhe. Se já usa um NVMe e quer mais velocidade, antes de trocar por um Gen 5 veja se o gargalo não é outro: pouca memória RAM ou SSD quase cheio deixam qualquer disco lento. O artigo sobre SSD NVMe em notebook ajuda nessa conta.
Upgrade de SSD com a Balão da Informática
A Balão da Informática, no Cambuí, em Campinas, vende peças e faz upgrade na assistência técnica: confere a geração e o tamanho do slot do seu computador, instala o SSD e passa o sistema e os arquivos para ele. Se a ideia é um computador novo, a montagem sob medida já sai com a placa e o SSD certos para o seu uso.
Em uma linha: compre a geração que o seu slot aceita e que o seu trabalho aproveita; para a maioria das pessoas, um bom Gen 4 resolve.
Perguntas frequentes
SSD Gen 4 funciona em placa-mãe Gen 3?
Funciona. As gerações do PCI Express são compatíveis entre si, e o SSD trabalha na velocidade do slot, ou seja, como Gen 3. Confira só se o tamanho do SSD é o mesmo do slot.
Vale a pena comprar SSD Gen 5 para jogar?
Para a maioria dos jogos, a diferença em relação a um bom Gen 4 é pequena hoje. O Gen 5 faz mais sentido para quem trabalha com arquivos muito grandes e tem placa com slot Gen 5.
Todo SSD M.2 é NVMe?
Não. M.2 é o formato do encaixe, e existem SSDs M.2 que usam o padrão SATA, mais lento. Confira na ficha se o SSD diz NVMe e PCIe, e se o slot da sua placa aceita esse tipo.
Preciso de dissipador no SSD NVMe?
No Gen 5, sim: ele esquenta bastante e reduz a velocidade sem refrigeração. No Gen 4, o dissipador da placa costuma bastar. Em notebook, escolha um modelo fino que caiba no espaço disponível.
Como sei a geração do slot M.2 do meu computador?
Descubra o modelo da placa-mãe ou do notebook e consulte as especificações no site do fabricante. A seção de armazenamento lista cada slot M.2 com a geração do PCIe.
Fontes
- Intel — What Are PCIe 4.0 and 5.0? (consultado em outubro de 2026)
- FS — PCIe 5.0 vs. PCIe 4.0: Which One to Choose? (consultado em outubro de 2026)
- Kingston FURY lança SSD NVMe PCIe 5.0 — Business Wire (maio de 2025)
- Neowin — Crucial, Corsair PCIe 5.0 SSDs running hot, throttling and shutting down (consultado em outubro de 2026)



